No ano de 2015, em uma palestra na área de tecnologia, um dos speakers, em tom de humor, afirmou que estamos vivendo o tempo do “nós contra eles”, e ratificou que isso é bom, pois a tecnologia reconhece muito bem linguagem binária. Hoje, essa binaridade criou grande uma polarização, que desceu do Palácio do Planalto e chegou ao lares, roda de amigos e até promoveu divórcios.
Na última semana a “AgriShow”, uma grande feira do agronegócio na cidade de Ribeirão Preto, movimentou a imprensa e as redes sociais, com o anúncio da presença do ex-presidente, Jair Bolsonaro(PL) na abertura do evento. Da possibilidade de saída de patrocinadores oficiais a ausência do ministro da Agricultura foram aventadas, abalos de toda a forma decorreram da presença do “Capitão”, ao lado de seu pupilo, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo.
Percebe-se, com esse fato, que a corrida eleitoral de 2026 já começou. Parece absurdo, mas o que se revelou, naquele evento, é que a polaridade instalada no país está longe de acabar. Embora sejamos uma nação extremamente plural, a fratura exposta nessa feira demonstra a opção do setor agropecuário pelo ex-presidente. Há um jogo de poder instalado, o agronegócio sabe de sua importância para a economia.
Lula possui a caneta da presidência e o poder de influenciar as questões agropecuárias nacionais. Ambos sabem de sua força, e pelo depreendido das reações da última semana, não desejam ceder em suas razões.
O agro escolheu o bolsonarismo como movimento político e não deseja o petismo. Lula é o grande bastião da esquerda brasileira, mas se quiser conquistar espaço nesse setor terá que rever conceitos sobre sua proximidade com MST, reforma agrária, entre outros. Temas espinhosos, mas que devem ser colocadas à mesa, para haver certo equilíbrio entre Planalto e agro.
