Brasil: Uma eterna Praça da Sé

Região que já foi palco de grandes manifestações, hoje segue definhando

Grades colocadas em volta dos canteiros na praça da Sé

A prefeitura inicia ora de maneira técnica, ora de maneira higienista, uma série de ações para a retirar essas pessoas das vias | Rovena Rosa/Agência Brasil

A Praça da Sé está situada no centro da cidade de São Paulo e já foi palco de grandes manifestações, desde a revolução de 1932 até o “Diretas Já”. Após seu auge, a região foi definhando.

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Muitos dos grandes escritórios, no final da década de 1980, migraram para outros bairros, junto com as sedes dos bancos que no primeiro momento foram para a região da avenida Paulista e hoje estão no trecho da avenida Faria Lima.

Com essa evasão e ausentes qualquer política pública, a degradação era certa. Agravou-se com o período pandêmico, pois com a massa de desempregados e sem teto, a região virou palco de ocupações. A crise se instala.

A prefeitura inicia ora de maneira técnica, ora de maneira higienista, uma série de ações para a retirar essas pessoas das vias.

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Algumas ações baseadas em modelos que não funcionam, como as de maneira forçosa, com a expropriação de seus pertences, outras com o convencimento, que é o adequado.

A polêmica foi parar na justiça e chegou ao Supremo Tribunal Federal que decidiu que o governo federal é quem deve alinhar tais políticas.

O Brasil é uma eterna praça da Sé, mesmo sem as grandes manifestações, seu eco é ouvido por todo o país. A questão é complexa, não se pode admitir que um ser humano viva em uma sarjeta, mas não o direito de retirar seus poucos pertences.

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Há um sistema nacional de assistência social, mas,  como tudo em nossa administração pública, falece com sua massa burocrática, com desvios, corrupção e até má vontade de alguns servidores.

Urge melhora nas relações Estado-moradores de rua, que não são um “problema” nacional, mas um fato social que merece ser pesquisado, analisado e que sejam aplicadas políticas públicas locais. Erra, novamente, o Brasil centralizador que não consegue sair do terceiro reinado.