Centrão assume governo Lula

Desde o governo FHC a Bolsonaro, o Centrão ora se expande, ora se retrai, como bom estrategista, mas sempre está no poder

Incompatibilidade de agendas não permitiu a definição sobre quem ocupará as pastas desejadas

Arthur Lira e Lula | Sergio Lima/AFP

Sob a batuta de Arthur Lira (PP) o governo Lula (PT) obteve mais uma vitória na Câmara dos Deputados, com a aprovação da Reforma Tributária. Como em toda guerra, há um espólio, Lula passou o ministério do turismo para as mãos do Centrão.

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A saga desse núcleo de partidos, que se instalou no poder legislativo federal, vem dos anos 1980, ainda na formação da assembleia constituinte. Naquele momento, como hoje, não há um alinhamento ideológico definido, mas é um grupo de siglas que conseguem certo consenso entre si.

Desde o governo FHC a Bolsonaro, o Centrão ora se expande, ora se retrai, como bom estrategista, mas sempre está no poder. De fato, a reforma tributária é uma vitória sem igual, pois há anos está em trâmite. Méritos para Lula que articulou com sua equipe em uma das áreas mais complexas e de maior reclamo tanto do empresariado, como do consumidor.

A reforma pretende substituir cinco impostos extremamente complexos – PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS – por um ou dois impostos muito simples sobre o valor adicionado (IVA) e um imposto seletivo sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente.

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Aparentemente teremos menor complexidade, mas como as fórmulas de cálculos e diferentes entesenvolvidos que cobram tais tributos, pois o ISS é um imposto municipal, o ICMS estadual e o IPI federal, o emaranhado de letras não é somente confuso na sua escrita, mas na sua forma de incidência e fatos geradores, ou seja, a origem de como tributar são diversas.

E nesse redemoinho, Arthur Lira consegue aglutinar bases e a votação necessária. É uma vitória política que o coloca em paralelo com o Planalto.

Os rumos do governo Lula começam a trilhar um norte, com “coalizões multipartidárias e regionais”, fenômeno político, previsto no livro do prof. Sérgio Abranches, da UnB, ainda na década de 1980, ou seja, um presidencialismo de coalizão.