Dallagnol cassado: O corporativismo político em prática

Como as corporações são cruéis com seus desafetos, Dallagnol experimenta agora receber o 'bullying' político

Ex-deputado Deltan Dallagnol

Ex-deputado Deltan Dallagnol | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Deltan Dallagnol é um ex-membro do ministério público federal que ganhou notoriedade na operação policial e jurídica que envolveu a prisão de empresários e políticos, em espinhoso escândalo nacional de corrupção. A famosa operação “lava jato” recebeu esse nome pois, no início das investigações, verificou-se que uma rede de lavagem de carros foi usada para movimentar valores de origem ilícita. A operação chegou na gigante Petrobras, nas grandes empreiteiras e em políticos de alto quilate.

O ser humano é gregário, vive em grupos sociais e as vezes em verdadeiras tribos com regras e normas não escritas, mas cumpridas por todos. O chamado corporativismo é caracterizado pela defesa dos interesses de um grupo profissional ou ideológico. Ungidos pela identidade, é possível observar tal comportamento grupal em engenheiros, médicos, militares, organizações policiais e, não seria de se estranhar, em grupos políticos.

A recente cassação do mandato de Dallagnol (Podemos),  pode ser um exemplo desse grande corporativista político nacional. Ele, por muito tempo, atacou os modelos políticos em suas falas, muito além do processo judicial. Após algumas intempéries, apresentou-se como candidato a deputado federal e agora cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral-TSE em duvidoso modelo decisório.

Como as corporações são cruéis com seus desafetos, Dallagnol experimenta receber o “bullying’ político. Não é novidade a exclusão daquele que crítica, delata ou até denuncia seus pares. O ex-deputado não foi cassado por uma decisão jurídica, mas por um conjunto de regras veladas da nova tribo que adentrou e antes criticou. Não foi o combate a corrupção, questões pessoais com o atual presidente Lula (PT), nem a alguma identidade com Bolsonaro(PL), mas foi extirpado de um grupo que não o quer.