Na última semana, houve a aprovação pelo Senado Federal da indicação do presidente Lula (PT) para a vaga no Supremo Tribunal Federal-STF, em razão da aposentadoria do Ministro Lewandowski. Cristiano Zanin Martins foi aprovado com 58 votos a favor e 18 contra.
Zanin foi o advogado de Lula na operação lava jato, e por anos levantou a tese da parcialidade do magistrado que conduzia o processo. A desconsideração das alegações do causídico foram claras, pois seus recursos eram sistematicamente rejeitados, inclusive nos tribunais federais e nos de Brasília.
Anos passaram, em dado momento houve o vazamento das mensagens entre o juiz responsável, Sergio Moro, com os Procuradores da República que investigaram todo o esquema criminoso. Foi o estopim da desconfiança daquele que foi tido como herói nacional e bastião contra a corrupção.
Houve críticas de Moro no curso do processo em virtude das relaçõesespúrias entre políticos e empresários. Inclusive, nos interrogatórios apresentava certo desprezo pela classe política. Na outra ponta, Zanin esculhambava em suas petições a ausência de clareza e boa interpretação por parte dos juízes do caso.
Como o Brasil não é para aprendizes, esse quadro mudou totalmente. Zanin será empossado como juiz da Suprema Corte. E na sua sabatina figurou o ex-juiz Sergio Moro, agora político e senador pelo partido União Brasil.
O juiz virou político e o advogado juiz. Em passado, não tão distante, tal fato seria improvável. Nem a saudosa “mãe Dinah” conseguiria predizer tal momento.
O Brasil é uma distopia sem igual. Embora as regras do jogo permitam, a inversão de cadeiras entre o advogado Zanin e o magistrado Sérgio Moro é um paradoxo, que somente o cenário político nacional pode nos proporcionar. É um amargor observar que não há perenidade nas pessoas públicas, nem tampouco personalidade para se afastar dos encantos do poder ou de suas próprias vaidades.
