Uma nova ordem mundial ‘não ocidental’ se aproxima

Consumidores de nossas matérias-primas, os chineses, em retribuição, começaram a entregar aos brasileiros uma enormidade de produtos industrializados

O presidente da China, Xi Jinping, recebe no Grande Palácio do Povo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente da China, Xi Jinping, recebe no Grande Palácio do Povo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Ricardo Stuckert/PR

O destino dos produtos exportados pelo Brasil tem em sua maioria a gigante China. De soja a minério de ferro, os chineses compram o dobro que os europeus. Em 2023, novos mercados asiáticos fizeram parte do portfólio do nosso agronegócio, como Indonésia e Malásia, conforme artigo do jornalista Gabriel Azevedo (Canal Rural). Como o mercado anda de mãos dadas com a política, o deslocamento dos interesses para a Ásia começou a pautar os debates e espaços acadêmicos. Desde a década de 90, a China ascendeu no mercado internacional. Apesar de algumas falas recentes, principalmente da direita reacionária, o mercado chinês quase que sustenta nossas exportações e a parceria estratégica sino-brasileira vem desde o governo Collor. 

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Consumidores de nossas matérias-primas, os chineses, em retribuição, começaram a entregar aos brasileiros uma enormidade de produtos industrializados. Nos últimos anos, vêm atingindo os olhos da classe média, ou seja, com veículos. A montadora BYD bem como a Cherry Veículos, já fazem parte do gosto do consumidor brasileiro. Os sinais estão claros de que há um deslocamento para os asiáticos no comando da ordem mundial, embora, hoje, multipolar. O eixo do atlântico norte desloca-se para o mar da China. 

No campo da política, para o Brasil, a aproximação com o novo eixo político-comercial do mundo é inexorável. No período do domínio europeu, os modos ingleses e franceses fizeram parte do quotidiano, de estradas de ferro a comportamentos. Com os americanos, experimentamos o “American way of life”. Os sinos, por outro lado, não querem impor moda, nem modo filosófico de vida, mas negociar, ampliar seu domínio, pois conhecem que a pujança do bilhão de consumidores em seu país irá reduzir e necessitam de outros mercados. 

O pensador Nereu Alves escreveu há muito tempo, “o dia em que os chineses pularem a sua muralha, dominarão o mundo”. Eles pularam.