Como assim, ele sumiu?

Quem sabe você, caro leitor, possa ser o elo que falta nessa corrente para o reencontro de uma mãe com seu filho?

Aliás, uma bomba está para explodir nesse processo todo

Diariamente pessoas "desaparecem" no Brasil e, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, os números são impactantes | Divulgação

Uma pergunta estranha, de difícil resposta, mas que, diariamente, milhares de famílias brasileiras precisam responder, por mais dolorosa e enigmática que possa ser a resposta.

Continua após a publicidade

Sim, diariamente pessoas (crianças, idosos, adultos), “desaparecem” no Brasil e, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, os números são impactantes: mais de 200 por dia, 70 mil por ano (número próximo ao de mortos em mais de uma década de guerra na Síria), de 2021 a 2025 foram mais de 373 mil registros, sendo importante registrar que há muita subnotificação. E a cada 4 pessoas desaparecidas, 1 é no Estado de São Paulo.

Em todo o mundo, o chamado “desaparecimento forçado” – aquele que não é resultado da livre vontade do desaparecido – é uma tragédia global que tem origens as mais diversas: conflitos armados, perseguição política, rotas migratórias, narcotráfico, tráfico humano. No Brasil, no entanto, essas causas mais reconhecidas não se aplicam de maneira geral.

Então como explicar um número tão dramaticamente elevado e, ao mesmo tempo “desconhecido” de grande parte da população? É uma “tragédia invisível” aos olhos do cidadão comum, mas a dor e o desespero que só se suplanta com a esperança infinita de mães, avós, esposas, filhos, irmãos, são muito reais; e estão presentes, diariamente, na vida dessas famílias.

Continua após a publicidade

Uma tragédia tão (in)visivelmente à vista de todos, e ainda tão pouco enfrentada pelo Poder Público. Essas famílias – algumas há mais de 30 anos! – sofrem preconceito (onde está marido/esposa/pai/filho?), problemas legais de toda ordem (bens que não podem ser vendidos, dinheiro preso em bancos, qualquer ato que dependa daquele que está ausente), dificuldades financeiras (quando o desaparecido era o provedor), e com maior frequência do que se possa imaginar, inúmeros problemas de saúde física e mental (como lidar com uma ausência interminável, com um “luto” sem despedida, tendo a esperança como único apoio para os manter vivendo?). 

Neste espaço, nos propomos a tirar o “véu da invisibilidade” que esconde esse problema que aflige milhares de pessoas, a dividir com você leitor os dados, índices e histórias reais dessas famílias; na esperança, que também nos move, de ampliarmos a rede de buscas, o conhecimento da causa e a possibilidade de reencontro.

E é assim que lhe convido a me acompanhar nessa jornada. Quem sabe você, caro leitor, possa ser o elo que falta nessa corrente para o reencontro de uma mãe com seu filho?