Todos, ao redor do mundo, ao ouvir a expressão “Cruz Vermelha”, imediatamente trazemos à mente a imagem de uma larga cruz avermelhada sob fundo branco, que em geral associamos a equipes de primeiros socorros e assistência a pessoas em situações de catástrofes e desastres ambientais ou vítimas de conflitos armados.
E essa foi a missão primeira desse movimento humanitário criado em 1863 pelo suíço Henri Dunant, chocado com a falta de atendimento médico a feridos na Batalha de Solferino: oferecer assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade. É hoje a organização mais antiga e honrada dentro do movimento humanitário internacional e uma das entidades mais amplamente reconhecidas no mundo, premiada com três Prêmios Nobel da Paz (em 1917, 1944 e 1963), congregando 192 sociedades nacionais, neutras e imparciais.
Sua neutralidade se traduz inclusive na adoção de uma segunda denominação “Crescente Vermelho”, para poder atuar em países islâmicos sem impor a estes um simbolismo (a cruz) que não integra a realidade desses povos. E a imparcialidade da instituição lhe permitiu, por anos, atuar em países em contexto de problemas sociais e conflitos armados internos, como nas ditaduras da América Latina e em países da África, Oriente Médio e Ásia.
Nesses locais, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha – CICV (ICRC – International Committe of the Red Cross) atua para localizar e identificar pessoas presas pelo Estado ou por facções opositoras, resguardando assim a sua integridade e informando aos familiares a sua situação.
Ironicamente, no Brasil, até o início da primeira década do Século XXI a Cruz Vermelha só conseguiu atuar dentro do seu mais conhecido padrão: a primeira instituição, não governamental, a estar presente em situações de desastres e acidentes de grandes proporções, prestando assistência médica a feridos e suporte a familiares. A atuação para prevenir, localizar e identificar pessoas presas pelo Estado durante a Ditadura Militar vivida de 1964 a 1985 não foi possível, pela ausência de diálogo que permitisse atuar com neutralidade e independência em relação ao Governo ou Autoridades.
O “estatuto” do CICV é zelar, basicamente, pela aplicação do Direito Internacional Humanitário e para tanto, se faz presente em qualquer situação que demande: visitar prisioneiros de guerra e civis detidos; procurar pessoas desaparecidas; intermediar mensagens entre familiares e a pessoa separada; reunir famílias; estar presente em campos de refugiados; e prover alimentação, medicamentos e assistência médica e humanitária a populações em situação de risco e vulnerabilidade.
Todo esse trabalho também envolve voluntários e é mantido, exclusivamente, por doações, individualmente ou a partir de contribuições de Países e outras instituições filantrópicas humanitárias.
A Humanidade não pode prescindir de entidades como o CICV, seja, você também, um doador.
