A necessidade é a mãe da invenção. Mas não deveria ser a mãe da gestão

Fazer mais com menos nem sempre é eficiência; entenda quando a sobrecarga e a falta de estrutura passam a ser confundidas com produtividade

E nos últimos anos, se passamos a ouvir mais sobre burnout e saúde mental no ambiente de trabalho, precisamos olhar um passo para trás e admitir que também passamos a admirar um tipo muito específico de profissional. Aquele que faz o trabalho de três pessoas. Foto: Drazen Zigic/Magnific

Outro dia, fui contar de uma reunião para um grupo de amigos e um deles soltou: “É isso né, a necessidade é a mãe da invenção.” Concordei na hora. Depois comecei a implicar com a frase. Tenho esse hábito irritante de desconfiar de frases bonitas. Elas ficam passeando pela minha cabeça durante dias até eu descobrir exatamente onde está o incômodo.

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Sim, talvez a necessidade realmente seja a mãe da invenção. Mas ela não deveria virar a mãe da gestão. Vejo uma diferença enorme entre construir uma solução criativa para atravessar um momento difícil e transformar a improvisação no modus operandi do negócio. E nos últimos anos, se passamos a ouvir mais sobre burnout e saúde mental no ambiente de trabalho, precisamos olhar um passo para trás e admitir que também passamos a admirar um tipo muito específico de profissional.

 Aquele que faz o trabalho de três pessoas. Que resolve qualquer problema, nunca deixa a peteca cair, trabalha sem equipe, sem orçamento, sem processo e, ainda assim, entrega.

Chamamos isso de eficiência.

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O “fazer mais com menos” é inevitável muitas vezes em momentos da vida e dos negócios. Startup fazem mais com menos. Famílias. Países em crise fazem mais com menos. Mas como a Camila Farani já escreveu recentemente, o “fazer mais com menos” pode ser menos um sinal de eficiência e mais um sintoma de desorganização. Empresas enxutas, mas muitas vezes transferiram a falta de estrutura para pessoas extremamente competentes.

E quantas vezes aplaudimos o lugar errado? Quem apagou o incêndio recebe reconhecimento. E quem pergunta por que o incêndio acontece toda semana? Quem trabalha até tarde é visto como comprometido. E quem pergunta por que aquele projeto precisou chegar nesse ponto?

Transformamos sintomas em virtudes e a sobrecarga vira protagonista de um ambiente onde a falta de processo reina sob a bandeira do Seja Flexível.

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 Enquanto isso a exaustão ganha nomes elegantes: cultura de dono, mentalidade de crescimento, vestir a camisa.

Outro dia, fui contar de uma reunião para um grupo de amigos e um deles soltou: “É isso né, a necessidade é a mãe da invenção.” Concordei na hora. Depois comecei a implicar com a frase. Tenho esse hábito irritante de desconfiar de frases bonitas. Elas ficam passeando pela minha cabeça durante dias até eu descobrir exatamente onde está o incômodo.

Sim, talvez a necessidade realmente seja a mãe da invenção. Mas ela não deveria virar a mãe da gestão. Vejo uma diferença enorme entre construir uma solução criativa para atravessar um momento difícil e transformar a improvisação no modus operandi do negócio.

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E nos últimos anos, se passamos a ouvir mais sobre burnout e saúde mental no ambiente de trabalho, precisamos olhar um passo para trás e admitir que também passamos a admirar um tipo muito específico de profissional.

Aquele que faz o trabalho de três pessoas. Que resolve qualquer problema, nunca deixa a peteca cair, trabalha sem equipe, sem orçamento, sem processo e, ainda assim, entrega.

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O “fazer mais com menos” é inevitável muitas vezes em momentos da vida e dos negócios. Startup fazem mais com menos. Famílias. Países em crise fazem mais com menos. Mas como a Camila Farani já escreveu recentemente, o “fazer mais com menos” pode ser menos um sinal de eficiência e mais um sintoma de desorganização. Empresas enxutas, mas muitas vezes transferiram a falta de estrutura para pessoas extremamente competentes.

E quantas vezes aplaudimos o lugar errado? Quem apagou o incêndio recebe reconhecimento. E quem pergunta por que o incêndio acontece toda semana? Quem trabalha até tarde é visto como comprometido. E quem pergunta por que aquele projeto precisou chegar nesse ponto?

Transformamos sintomas em virtudes e a sobrecarga vira protagonista de um ambiente onde a falta de processo reina sob a bandeira do Seja Flexível.

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 Enquanto isso a exaustão ganha nomes elegantes: cultura de dono, mentalidade de crescimento, vestir a camisa.