Mendonça cobra Fachin por decisão sobre investigações do Banco Master e fraudes no INSS

Ofício foi enviado em 25 de setembro, após Fachin assumir, no dia 12 daquele mês, os processos das operações Compliance Zero

Operações Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, e Sem Desconto, que apura fraudes contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)/Rosinei Coutinho/SCO/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que decidisse se as investigações sobre o Banco Master e as fraudes no INSS voltarão ao seu gabinete ou permanecerão sob responsabilidade da Presidência do tribunal.

Continua após a publicidade

O ofício foi enviado em 25 de setembro, após Fachin assumir, no dia 12 do mesmo mês, os processos das operações Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, e Sem Desconto, que apura fraudes contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na ocasião, o presidente do STF determinou a paralisação das investigações.

A informação foi publicada pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo. Desde então, pedidos das defesas seguem sem decisão, incluindo solicitações de soltura de investigados, desbloqueio de bens e autorização para exames médicos de presos.

No documento, Mendonça afirma que a permanência dos processos na Presidência impede que ele, como relator, tome decisões. O ministro também relata que advogados continuam encaminhando petições ao seu gabinete, seguindo orientações da própria Presidência do STF. Até o momento, Fachin não respondeu ao pedido.

Continua após a publicidade

Entenda a fraude do INSS

As fraudes foram reveladas pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga um esquema nacional de descontos ilegais nos benefícios do INSS.

Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões tenham sido desviados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. Até agora, a Justiça já bloqueou R$ 2,8 bilhões em bens de empresas e pessoas envolvidas.

O acordo foi construído em conjunto pela AGU, INSS, Ministério da Previdência Social, OAB, DPU e MPF, em um processo de conciliação coordenado pelo ministro Dias Toffoli.

Continua após a publicidade

A Advocacia-Geral da União (AGU) também entregou ao STF uma proposta de acordo para dar início ao ressarcimento de aposentados e pensionistas que tiveram valores descontados indevidamente pelo INSS.

Se houver contestação do desconto, o INSS cobrará a associação responsável, que terá 15 dias para comprovar autorização ou devolver os valores. Caso não haja resposta, o INSS fará o ressarcimento ao beneficiário e depois tentará recuperar o dinheiro.

Ao aderir ao acordo, ações individuais e coletivas contra o INSS serão encerradas. Não haverá pagamento por danos morais ou aplicação do Código de Defesa do Consumidor.

Continua após a publicidade

Caso Banco Master

Segundo a PF, o coração do esquema era aumentar artificialmente o valor do Banco Master para fazer a instituição parecer muito mais rica e sólida do que realmente era. A investigação aponta que isso permitia atrair bilhões de reais de investidores e realizar operações financeiras mesmo sem garantias reais.

A ação investiga uma estrutura financeira que teria utilizado empresas, fintechs e fundos de investimento para ocultar beneficiários e viabilizar negócios no mercado de combustíveis. A delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), trata de operações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do banco.

Em novembro de 2025, a Polícia Federal (PF) prendeu o dono do Banco Master no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na Grande São Paulo, quando ele tentava fugir do País, segundo a PF. 

Continua após a publicidade

A ação também faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) e empresas ligadas ao grupo Master.

Carregando enquete…