Arritmia cardíaca: conheça sinais da doença que internou o deputado federal Janones

A presença de sintomas como tontura, fraqueza, sensação de desmaio, dor no peito e falta de ar intensa indica a necessidade de procurar um pronto-socorro imediatamente

O deputado ficou internado após passar estresse; Janones já recebeu alta/ Foto: divulgação

O recente episódio de mal-estar envolvendo o deputado André Janones, associado a um cenário de intenso estresse emocional, altas temperaturas e rotina agitada, não é um caso incomum ou isolado. O ritmo cardíaco pode sofrer alterações abruptas, mesmo em pessoas jovens ou sem histórico conhecido de problemas cardiovasculares, causando arritmia cardíaca.

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Mais de 20 milhões de pessoas sofrem com esse problema no Brasil, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac).

O que é arritmia cardíaca e quais são os tipos de batimento

A arritmia cardíaca ocorre quando o coração bate fora do seu ritmo normal, podendo se manifestar de forma acelerada, muito lenta ou descompassada. O médico especialista Dr. Louis Nakayama Ohe, cardiologista e chefe da Hemodinâmica do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, explica que nem toda alteração no ritmo do peito é motivo para pânico.

“Nem toda arritmia é perigosa. Pode-se dizer que a grande maioria tem curso benigno durante toda a vida das pessoas”, afirma o médico, ressaltando que o problema pode decorrer de um excesso de aceleração ou de uma desaceleração extrema.

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No meio médico a aceleração dos batimentos é classificada como taquicardia quando o coração ultrapassa os 100 batimentos por minuto em repouso. Já a bradicardia representa o ritmo lento, ficando abaixo de 50 a 60 batimentos por minuto.

Conforme detalha o Dr. Louis, nenhuma das duas condições é necessariamente uma doença. A taquicardia surge naturalmente durante a prática de exercícios físicos, quadros febris ou episódios de susto, enquanto a bradicardia é comum em atletas e durante o sono. O alerta médico surge apenas quando essas variações aparecem sem justificativa clara, mostram-se desproporcionais à situação ou vêm acompanhadas de sintomas incômodos.

Estresse, calor e estimulantes são gatilhos até em jovens

Em episódios súbitos que atingem pessoas jovens, como o observado no caso de Janones, as causas mais comuns costumam estar ligadas à região atrial do coração. O Dr. Louis pontua que esses quadros repentinos em pacientes jovens estão frequentemente associados ao estresse, à privação de sono e ao uso exagerado de substâncias estimulantes, a exemplo do café, energéticos, bebidas alcoólicas e pré-treinos.

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Quando o estresse emocional severo entra em cena, o organismo responde com uma forte descarga adrenérgica que pode desestabilizar o sistema elétrico do coração. Se aliado a isso houver calor extremo, o risco aumenta, pois altas temperaturas provocam desidratação, vasodilatação e queda da pressão arterial.

Sintomas de alerta e quando ir ao pronto-socorro

Identificar se uma palpitação é passageira ou se trata de uma arritmia exige atenção aos sinais do próprio corpo. O especialista recomenda monitorar o pulso e a frequência cardíaca. Uma frequência em repouso acima de 150 batimentos por minuto ou abaixo de 40 em movimento serve como sinal de alarme.

Uma dúvida recorrente é se a arritmia pode levar a um infarto ou a uma parada cardíaca. Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, é importante diferenciar as duas condições. O infarto é um problema circulatório provocado pelo entupimento de uma artéria que impede a chegada de sangue ao músculo do coração. Por outro lado, a parada cardíaca é um colapso elétrico no qual o coração para de bater de forma eficaz e interrompe o bombeamento de sangue para o corpo.

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O Dr. Louis reforça que uma arritmia grave pode, sim, ser a causa direta de uma parada cardíaca, embora nem todas as paradas sejam provocadas por esse motivo. Da mesma forma, um infarto pode lesionar o tecido do coração e desencadear uma arritmia grave como complicação, criando um ciclo perigoso que exige atendimento médico imediato.

A presença de sintomas como tontura, fraqueza, sensação de desmaio, dor no peito e falta de ar intensa indica a necessidade de procurar um pronto-socorro imediatamente.

Se infarto não é o principal risco, o que a arritmia causa?

Quando uma arritmia (especialmente as crônicas ou mais graves, como a Fibrilação Atrial) é ignorada e deixada sem tratamento, os principais perigos envolvem:

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  • Risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC): Em alguns tipos de arritmia, o coração não bate de forma eficiente para bombear o sangue por completo, fazendo com que ele fique “estagnado” em cavidades do coração (os átrios). Isso favorece a formação de coágulos. Se um desses coágulos se desprende, ele pode viajar pela corrente sanguínea até o cérebro, bloqueando uma artéria e provocando um AVC (derrame).
  • Insuficiência cardíaca: Se o coração passa anos batendo rápido demais ou de forma desorganizada e ineficiente, o músculo cardíaco começa a se desgastar, dilatar e perder a força de bombeamento. Com o tempo, isso leva à insuficiência cardíaca crônica, fazendo com que o paciente sinta muita falta de ar, inchaço nas pernas e grande cansaço para atividades simples.
  • Parada cardíaca e morte súbita: Algumas arritmias graves que se originam nos ventrículos podem degenerar rapidamente para quadros gravíssimos, como a fibrilação ventricular, fazendo com que o coração pare de bombear sangue de vez. Sem atendimento imediato, isso resulta em parada cardiorrespiratória e morte súbita.
  • Queda da qualidade de vida: Mesmo arritmias consideradas “benignas” (que não matam de imediato), quando deixadas sem controle, geram crises frequentes de palpitações intensas, tonturas, desmaios repentinos, ansiedade constante e episódios recorrentes de exaustão, prejudicando o dia a dia da pessoa.

Como prevenir e tratar o problema?

Vale destacar que a arritmia pode ser completamente assintomática em muitos indivíduos. Segundo o Dr. Louis, o diagnóstico preventivo costuma ser feito por exames tradicionais como o eletrocardiograma e o Holter de 24 horas. O médico lembra ainda que, embora os relógios inteligentes consigam detectar algumas variações no ritmo, eles não servem para o diagnóstico definitivo.

Após a confirmação médica, o tratamento varia conforme cada tipo de arritmia. De acordo com o Dr. Louis, a conduta pode incluir desde o controle com medicamentos orais e procedimentos com cateter para a ablação do foco da arritmia, até o implante de marcapasso ou o tratamento direto de condições de base, como hipertensão, diabetes, obesidade e apneia do sono.

Adotar hábitos saudáveis continua sendo a principal forma de prevenção contra sustos cardíacos. Especialistas da Sociedade Brasileira de Cardiologia destacam que pequenas atitudes no dia a dia ajudam a proteger o ritmo do peito e evitam complicações graves:

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Praticar ao menos 150 minutos de atividades físicas moderadas por semana fortalece o músculo cardíaco e melhora a circulação. Manter uma alimentação equilibrada, rica em grãos integrais, frutas e legumes, reduz a formação de placas de gordura nas artérias. Respeitar as horas de descanso diárias e cuidar da higiene do sono ajuda a regular o sistema nervoso e a frequência cardíaca.

Além disso, evitar o tabagismo, inclusive cigarros eletrônicos, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e cafeína e praticar o manejo do estresse com acompanhamento médico e exames preventivos de rotina são atitudes indispensáveis para manter o coração saudável.