O que esperar do jogo de volta da final da Copa do Brasil

Em vantagem, São Paulo jogará em casa por um título inédito; Flamengo terá pouco mais de 90 minutos para evitar uma temporada vexatória

O treinador não quer repetir o que houve com Fernando Diniz

Dorival Júnior, técnico do São Paulo | Rubens Chiri/São Paulo FC

Uma decisão de 180 minutos. Nada está definido ainda, afinal, em um duelo de ida e volta, as duas partidas são igualmente importantes no resultado final. Mas, no que se viu do primeiro jogo, alguns detalhes chamaram muito a atenção. Em vantagem, São Paulo jogará em casa por um título inédito, já o Flamengo terá pouco mais de 90 minutos para evitar uma temporada vexatória.

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Histórias do futebol: Dorival Júnior, atual campeão da Copa do Brasil pelo Flamengo no Maracanã, retornou ao estádio novamente em uma decisão do mesmo campeonato, mas desta vez sendo adversário do Rubro-Negro. E no reecontro, venceu o treinador. Hoje no São Paulo, Dorival demonstrou que conhece bem as peças em campo, não apenas de seu time tricolor, mas também de seu ex-clube.

Sampaoli é um caso peculiar. Mesmo sem convencer, com mais de 30 jogos pelo comando da equipe, pode ser campeão se reverter um resultado fora de casa. O elenco flamenguista jura estar totalmente fechado com o comandante, mas o que se viu ao menos no jogo de ida pareceu um pouco diferente disto. O tempo técnico mostrou Dorival reunindo e auxiliando o elenco são-paulino – que fazia uma boa partida – a manter o nível e buscar os atalhos do campo. Pelo lado do Flamengo, Sampaoli perambulava pela área técnica, enquanto o elenco conversava entre si. Relembrou o episódio das oitavas de final da Copa do Mundo de 2018, entre França e Argentina. Sampaoli, técnico da Argentina naquela edição, mal se comunicava com seu elenco. Messi e Di María instruiam os jogadores.

Gol de Calleri, seu primeiro na competição, também foi uma grande oportunidade para a volta por cima do argentino. O camisa 9 do São Paulo já havia feito um gol legítimo contra o Palmeiras, mal anulado pelo Daronco. Com atuações abaixo e o principal vilão na eliminação do Tricolor Paulista na Sul-Americana, Calleri jamais deixou de correr e lutar. Sua atuação dentro da área não foi perfeita, longe disso. Mas ele fez o que mais importava: o gol que deu a vitória ao time.

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Demitir Jorge Sampaoli para um jogo na final não parece a solução. O time ter chegado até tal partida com ele no comando é um erro de planejamento da direção. Marcos Braz é alvo de críticas totalmente justas. Saída de Dorival, contratação de Vítor Pereira, chegada de Sampaoli, e a piadinha com “Real Madrid pode esperar”. A hora do Real Madrid ainda não chegou. Mas a de trocar peças de dentro do Flamengo talvez tenha. Independentemente do que aconteça no jogo de volta, mesmo que o Flamengo reverta o resultado, a temporada foi preocupante. Um elenco que precisa de renovação. Uma diretoria que precisa de mudanças. Equilibrar o time tirando medalhões dos 11 iniciais ou deixar todos em campo mais livres? É uma escolha que o treinador terá que tomar.

Para o São Paulo resta segurar a ansiedade e manter os pés no chão. Contra o Sport, pelas oitavas, o clube venceu na Ilha do Retiro e quase acabou eliminado no Morumbi. Não tem nada ganho, a empolgação de um título inédito, de um peso nas costas sendo extinto, tudo conta muito. Mas do outro lado existe o elenco mais valioso do Brasil. A estratégia deve ser a mesma da ida. Retrancar desde o início seria um erro que o próprio São Paulo já cometeu contra um Palmeiras em decisão de Paulistão. Um erro que o Tricolor também se aproveitou, contra um Corinthians que entrou para segurar um 1×0 para o adversário.

A torcida do Flamengo foi ofuscada pela má atuação da equipe. Já a numerosa torcida são-paulina conduziu o time. Chegou a fazer mais barulho que a rubro-negra mesmo estando fora de casa.

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De um lado, as individualidades brilhantes que sumiram no Maracanã, mas que podem aparecer na volta. Do outro, um comando técnico que parece ter o elenco na mão. Existindo ou não um favorito, restam ainda 90 minutos.