Tempo livre para treinamentos ‘piorou’ os grandes times paulistas

Data Fifa deu tempo para os técnicos treinarem e melhorarem suas equipes; no retorno do calendário, nenhuma evolução e o alerta para sequência do torneio

Na tabela, o estrago foi enorme para o Palmeiras: oito pontos atrás do líder e duas posições a menos na classificação

Na tabela, o estrago foi enorme para o Palmeiras: oito pontos atrás do líder e duas posições a menos na classificação | Vitor Silva/Botafogo

O calendário brasileiro é de fazer qualquer preparador físico chorar. Jogos a cada três dias e lesões musculares em importantes jogadores são recorrentes no formato nacional de disputa do futebol, e, com isso, muitos treinadores e atletas reclamam (com razão) de não terem tempo de trabalho.

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Mas, com a parada para os jogos de seleções na chamada “Data Fifa”, os times tiveram tempo de trabalho, treinamentos para alinhar a equipe, potencializar jogadas, e recuperar jogadores. Na teoria tudo muito lindo, mas na prática, para os paulistas, de nada parece ter servido.

Corinthians

O cenário “menos pior” – e que já é bem ruim, diga-se de passagem, foi o do Timão: derrota para o Furacão fora de casa, mas uma boa vitória no clássico contra o Santos, que resultou na queda do treinador Odair Hellmann do comando do alvinegro praiano.

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Na tabela, o Corinthians não subiu, mas também não caiu. Continua fora do Z-4, mas beirando e parecendo se esforçar para entrar. No clássico, houve uma boa atuação que contou até com o fim do jejum de Yuri Alberto – que pagou até promessa para agradecer por ter voltado a balançar as redes. Porém contra o time paranaense, o clube paulista voltou a apresentar o futebol bem abaixo no torneio e poderia ter perdido por mais. Yuri Alberto voltou a ter atuação apagada, e a Fiel Torcida novamente terá que esperar que os treinamentos comecem a surtir efeito. Com toda a parada da Data Fifa, o clube poderia ter apresentado melhoras mais significativas.

São Paulo

A ilusão de que mudar de treinador era a solução caiu por terra. Dorival Júnior chega ao mesmo aproveitamento de Rogério Ceni e com erros já antigos para solucionar. O time até empolga mais, é verdade, mas pontua rigorosamente igual. Dos dois jogos após tempo de treinamento, a mesma pontuação do rival de Itaquera: uma vitória e uma derrota.

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O Tricolor porém, não jogou tão bem na vitória contra o Athletico e venceu mais na base da eficiência do que no brilho de uma atuação consistente. Contra o Cruzeiro teve até mais volume que no jogo anterior, mas com um gol contra de Rafinha, foi capaz de perder a partida sem sofrer um chute sequer no alvo. Nestor perdeu um gol praticamente feito e Dorival teve noite para esquecer: errou na escalação e repetiu o erro nas alterações. Alisson não pode mais ser titular deste time, e Marcos Paulo e Rodriguinho não podem ter tão pouco tempo de jogo com o time precisando vencer. O time do Morumbi despencou na tabela e se distancia do G-4, brigando agora por meio de tabela. A defesa parou de ser eficiente e volta a ser dor de cabeça para a torcida e comissão técnica.

Palmeiras

Ainda seguindo na ordem crescente de declínio após retorno da Data Fifa, o Verdão, atual campeão brasileiro, também não passou ileso da piora após período sem jogos. Foram duas derrotas em dois jogos e o time antes invicto agora é apenas o quarto colocado. Derrota para o Bahia com atuação abaixo do esperado teve como argumento de torcedores e jornalistas os desfalques dos atletas convocados. Pois bem, contra o Botafogo não houve essa desculpa. O alviverde até teve mais volume de jogo, mas o Fogão foi mais eficiente e agora é mais líder do que nunca.

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Gol impedido, pênalti bizonhamente perdido pelo Raphael Veiga (que vem em uma sequência de más atuações) e exagero nos cruzamentos. Na tabela, o estrago foi enorme: oito pontos atrás do líder e duas posições a menos na classificação. Nem mesmo o melhor treinador do País, Abel Ferreira, conseguiu brilhar. Substituiu mal e tirou qualquer chance que o Palmeiras tinha de empate. O time voltou pior do que estava antes da parada, mesmo com tempo de treinar.

Santos

O pior cenário dos quatro grandes é – novamente – o do Santos. Derrota no clássico para o Corinthians, punição para jogar sem torcida após protestos de vândalos na Vila Belmiro, nova derrota em casa, desta vez para o Flamengo, e o Z-4 cada vez mais próximo. Para piorar, o time mudou agora de treinador: Odair Hellmann foi demitido após derrota para o Timão. Paulo Turra assume.

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O Peixe está sem apresentar nenhuma melhora em campo, com diretoria errando sucessivamente, e agora sem poder contar com sua maior força: a torcida. A base, novamente, receberá a responsabilidade nas costas de fazer este time voltar a render. E agora? Eliminado da Copa do Brasil e da Sul-Americana, o Peixe terá, ao menos, calendário livre para evitar uma tragédia maior que seria a do rebaixamento inédito do alvinegro praiano. Porém, tempo para treinar não tem servido de muita coisa para evoluir este time santista.

*Diferentemente dos chamados “quatro grandes”, o RB Bragantino voltou voando, goleando o Flamengo por 4 a 0 e vencendo os dois jogos disputados com um ótimo futebol.