Digna de revisão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi a declaração de Alexandre de Moraes, ministro relator da acusação contra os primeiros acusados dos atos golpistas de 8 de janeiro. Nesta semana, 3 dos 4 elencados foram julgados. A presidente, ministra Rosa Weber, declarou a sentença de Aécio Lúcio Costa Pereira, 17 anos, Thiago de Assis Mathar, 14, e Matheus Lima de Carvalho Lázaro, 17 anos, ao final das alegações do Ministério Público, do relator e dos demais membros da Corte.
Mas o que ganhou protagonismo mesmo foi o desempenho dos advogados de defesa dos acusados. Teve autodefesa, declaração de que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) são odiados pela população, choro, e até advogado que demonstrou que não tem a mínima cultura para portar a carteirinha da Ordem: Confundiu “O Príncipe”, de Maquiavel, com o “Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry. Não posso fazer juízo de valor, mas o partido pelo qual o advogado Hery Waldir Kattwinkel, que chegou até a confundir a quem estava defendendo de fato, já o expulsou. Pelo Solidariedade, Hery não poderá a concorrer a vereador em nenhum município paulista, foi expulso do partido.
De ex-ministro para ex-ministro
Foi um recado de Alexandre de Moraes para André Mendonça. Ambos foram ministros da Justiça, o primeiro no governo Temer, e o segundo no governo Bolsonaro. É que durante o seu voto, Mendonça sugeriu que os atos golpistas foram corroborados pelo atual ministro da Justiça, Flávio Dino, o que incomodou sobremaneira Moraes. O ministro Gilmar Mendes também se incomodou, e lembrou que a cadeira que Mendonça estava sentado, depois do vandalismo, foi encontrada no espelho d’água da Corte. Moraes finalizou dizendo que a fala do colega era injustificável. Bastidores dão conta de que eles apertaram as mãos depois, mas o registro foi do embate.
Torta de climão
A aposta de André Mendonça é alta. Tanto ele, quanto Nunes Marques, sabem que as investigações chegarão a Bolsonaro, e ensaiam a defesa ao criador, insistem que as acusações só devem se dar no plano do vandalismo e da depredação dos prédios públicos. Mas perdem feio! Usar argumentos de apoiadores de Bolsonaro não tem sido consideradas boas estratégias, até porque como o STF também foi atacado, não dá para justificar os atos como meramente contra Luís Inácio Lula da Silva. Foi um ataque democrático, contra todas as instituições.
Marco Zero
Em Brasília, é consenso. O ataque às instituições começou em 1º de janeiro de 2019. Arrefeceu quando Bolsonaro entregou o orçamento ao Centrão, mas que não está sendo perdoado, nem pela opinião pública, nem pelos ministros da Corte. É que toda essa articulação não está sendo vista como uma maluquice, mas sim como uma associação criminosa. O que vai custar caro aos apoiadores de Bolsonaro, militares ou não. Se os executores está sendo condenados a penas decenais, imaginem quando chegarem aos financiadores
O choro é livre
A advogada de defesa de Matheus Lázaro usou a tribuna do pleno da Corte para chorar. Depois das tantas sofríveis participações dos defensores. Sentindo-se ignorada, Larissa de Araújo foi repreendida por Alexandre de Moraes, que lembrou que a defesa do acusado perdeu o prazo legal de manifestação, e que mesmo assim, ele permitiu que a defensoria pública representasse o réu na causa. A advogada disse que o réu foi preso “sem critérios” é que “as sentenças já haviam sido dadas”. As imagens e os diálogos de Matheus com a esposa falam por si.
Mais choro
Responsável por permitir a continuidade dos acampamentos em frente aos quartéis do Exército, o general Gustavo Henrique Dutra de Menezes foi ouvido, nesta quinta-feira (14), pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Ele manifestou a expectativa de que os movimentos acabassem naturalmente, e que uma ação forçosa poderia prejudicar a posse. Ah, “mas teve o 8 de janeiro”, declarou o general.
Mauro Cid e as joias
Entrevista da Revista Veja sobre o caso das joias extraviadas do Poder Público, dá conta de que o ex-ajudante de Ordens de Jair Bolsonaro entregou, em mãos, R$ 300 mil ao ex-presidente. Estamos em apuração, mas a declaração é forte, e traz mais dor de cabeça, aumentando a impopularidade de Bolsonaro. Qual será o real prejuízo que o País teve com essa brincadeira? Aos poucos, a divulgação da delação de Cid nos dirá!
Mais longe de Brasília, mais perto de São Paulo
Boulos oficializou sua campanha à prefeitura de São Paulo nesta sexta-feira (15). Com o movimento Salve São Paulo, o deputado federal começa uma série de plenárias para ouvir toda a população da cidade. As inserções na TV já começam neste final de semana, e o marqueteiro responsável é o jornalista Lula Guimarães, que foi responsável pela campanha de João Dória. Guilherme Boulos precisa furar a bolha e ser ouvido pela elite paulista. Mas pretende manter o discurso que o identifica com as minorias, e usa uma linguagem que remete a Mano Brown. Na contrapartida, Ricardo Nunes, atual prefeito, com a máquina na mão, utiliza seu caixa para mostrar o que está fazendo pela cidade.
