Com a harmonia promovida pelo clima do desfile de 7 de setembro, parece que o presidente Luiz Inácio Lula (PT) está no caminho de obter a paz que tanto almeja, apesar das pressões. Mesmo que ainda haja rusgas, mesmo que ainda haja combates que tem ido além dos que ocorrem entre os homens.
É que estamos também tendo que enfrentar as fúrias da natureza brasileira, e em diversas partes do mundo. Falando de Brasil, o Rio Grande do Sul se ressentiu da ausência de Lula na que foi a maior tragédia da localidade nas últimas décadas. Eduardo Leite (PSDB-RS) preferiu não politizar a questão e se disse satisfeito com o apoio em nível nacional.
“Deitado em berço esplêndido”
E se realmente quiser continuar em paz, Lula poderia recorrer aos conselhos das avós, “fale menos, escute mais”. Falar sobre assuntos internacionais os quais ele não domina, pode trazer o burburinho pelo qual as redes sociais oposicionistas estão esperando para voltar a bater panelas por aí. Ainda bem que pôde finalizar sua dúbia argumentação com a fala de que quem prende é a justiça.
E sobre as questões internas, também é preciso ter cautela. Porque para aqueles que acham que Lula fez muito barulho para pouca reforma, se esquecem que mais do que alocar André Fufuca (PP- MA) e Sílvio Costa Filho (Republicanos-PE), Lula conseguiu dar uma quebrada no time adversário. A inteligência estará agora em acolher os dissidentes.
Então, com a já aceitação dos militares de colocarem cada personagem em sua caixinha; militar não é político; militar que cometeu crime civil responderá em ambiente civil; deixemos Bolsonaros, Cids e seus asseclas aos cuidados da Polícia Federal (PF) e coordenação do ministro Flávio Dino.
E mais, nesta quarta-feira (13), o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar ações penais dos atos de 8 de janeiro. Serão quatro os crimes, associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Além do presidencialismo de coalizão, Lula e sua base deveriam estar também interessados num “cachimbo da paz” com o Legislativo. Literalmente baixando a fervura das discussões nas comissões e Plenários. Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, prometeu que nesta semana quer votar os relatórios da minirreforma eleitoral e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Apostas.
E com o fim dos trabalhos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), os parlamentares estão com foco nos agentes de segurança pública e nos militares, os que estiveram presentes, e os que não estiveram. Nesta semana a oitiva é com a ex-subsecretária de Inteligência da Segurança do DF, Marília Ferreira Alencar. Como o presidente da Comissão, Arthur Maia, já declarou que não há a mínima necessidade para que os trabalhos se estendam para além de 17 de outubro, resta à relatora Eliziane Gama (PSD-MA), depois de três intensos meses de trabalho, marcar a apresentação do relatório apontando a omissão das Forças.
No Senado Federal, para além das revisões das pautas devolvidas pela Câmara, como a Desoneração da Folha, Arcabouço Fiscal e Reforma Tributária que estarão em discussão, pautas ambientais também entrarão em cena. Marina Silva irá à Comissão de Infraestrutura (CI) para discutir o lançamento do petróleo no Amapá. Para auxiliar nas calamidades públicas, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) pode votar a destinação desses recursos para essas causas. Já a CPI das ONGs ouvirá o superintendente da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) sobre a utilização de recursos estrangeiros.
Por fim, consultorias do Senado já estão se reunindo para resumir a proposta do Orçamento 2024.
