Luiz Inácio Lula da Silva já está internado no Sítio Libanês, em Brasília, para a cirurgia no quadril. Mas o presidente da República, antes, deixou um claro recado para o chamado “fogo amigo” do PT: Não vai admitir interferência em uma escolha que é personalíssima. Segundo bastidores, para ele, aliados estão passando dos limites na interferência das indicações, seja para a vaga do Supremo Tribunal Federal (STF), que ficará vaga com a ser deixada aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber, que completa 75 anos na próxima segunda-feira (2/10), quanto para a vaga deixada por Augusto Aras, ex-procurador Geral da República (PGR), na última terça-feira (27). Três são as apostas até então, mas Lula já avisou que não vai se deixar pressionar. Não gostou da conversa com os dois procuradores indicados, Paulo Guilherme Bigonha e Paulo Gonet. Em torno, bastidores dão conta de que semana passada o presidente da República teve uma longa conversa também com o atual ministro da Justiça, Flávio Dino. O PT, partido de Lula, prefere Jorge Messias, atual Advogado Geral da União (AGU), dada a sua ligação com o partido e com a magistratura, mas nem ele sabe se quer sair da posição que ocupa. Também figura da bolsa de apostas o nome de Bruno Dantas, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), mas parece que, dada a experiência política e de magistratura de Dino está alguns passos a frente.
Quadro clínico
Ainda não temos mais informações da cirurgia do presidente Lula que deve estar sendo executada agora. Apenas a certeza, dada por ele e pelo Dr. Roberto Kalil Filho, seu médico pessoal, é de que o procedimento será simples e de que boletins do serão divulgados, pela manhã e à tarde, a partir de sábado (30). Ao término do procedimento, por volta das 16h, os médicos se prontificaram a realizar uma coletiva de imprensa para informar o estado de saúde de Lula. Mas o clima é de tranquilidade. A Direto de Brasília está acompanhando de perto e a imprensa não foi informada sobre o horário de início do procedimento, para evitar especulações.
30 missões e filme queimado
Quem não está nada bem na foto é o ex-juiz, ex-ministro da Justiça e então senador da República pelo estado do Paraná, Sérgio Moro (União). É que o ministro Dias Toffoli resolveu que não vai engavetar as loucuras aprontadas pelo juiz e reveladas pelo ex-deputado estadual Tony Garcia. Em 2004, em prol de uma redução de penas, Tony aceitou 30 missões de Moro para atuar como agente infiltrado, fazendo escutas ambientais de políticos e empresários. Moro se defende dizendo que Tony é um “criminoso condenado” e que a acusação é uma “farsa”. Mas quem lê os documentos do STF não tem dúvidas da suspeição de Moro.
Portas fechadas
É de conhecimento público a mágoa de Lula, e do PT, com a operação Lava Jato. E também a firme atuação do ministro do STF Luís Roberto Barroso, agora empossado presidente. Percebendo o climão, o recém chegado à Corte, ministro Cristiano Zanin, avisou a Barroso achar ser cabível uma conversa antes do encontro formal, durante a posse. Barroso disse que por ele tudo bem, mas que não iria chamar. Então Zanin correu em Lula. Pediu ao presidente para chegar mais cedo, pois ele seria recebido antes da cerimônia para uma conversa a portas fechadas. Parece que foi uma decisão mais do que acertada. Ao longo da cerimônia, mesmo estando de máscara, não se viu uma animosidade em Lula. Ao contrário, muitas conversas entre os dois. Lula não foi à festa de comemoração, mas ficou até o final do evento no Supremo, próximo a Barroso.
Nossa Senhora, me dê a mão
Depois da longa conversa com Lula na semana passada, sem falar nada, Flávio Dino, conhecido por sua grande religiosidade, foi visto em Aparecida, São Paulo, em oração. Como bom político, ele só pede proteção. Se tornar ministro do STF, como ele mesmo já disse em entrevista à imprensa, é o auge, como “um jogador de futebol chegar à seleção de seu país”. Sabe que falar pouco é o segredo com Luiz Inácio Lula da Silva, que é o único que tem que ser agraciado nesse processo todo. Lula já havia avisado que não tomaria nenhuma decisão antes da cirurgia, mas Brasília está pipocando.
Pacheco e Marco Temporal
Muitos senadores da situação não estão preocupados com a performance considerada “inópia” do presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). É que ele deixou correr essa palhaçada da votação do PL do Marco Temporal, como dito por muitos, apenas para medir forças com Barroso. E mal sabe ele que se continuar nesse caminho, vai ter mais dificuldade de se reeleger ao Senado, pois está em sua última legislatura. A pauta de costumes que o novo presidente pretende emplacar já é velha conhecida em Brasília, são dez anos. Especificamente com relação ao Marco Temporal, a expectativa é que Lula vete o PL, se não, já há articulações pela provocação da inconstitucionalidade, já que a matéria só poderia ter sido apreciada pelo Legislativo via Proposta de Emenda Constitucional (PEC), pois já havia sido decidida pelo STF. Vamos ver como seguirá o baile.
“Todo o sentimento”
Muito se falou sobre a posse do ministro Luís Roberto Barroso na presidência do Supremo ontem. Mas esta coluna quer destacar o que considerou o momento mais importante, quando Barroso pediu a Bethânia para cantar “Todo o sentimento”, de Chico Buarque e arrancou lágrimas do empossado e de vários presentes. De fato foi emocionante! A canção foi interpretada no final da cerimônia, a pedido de Barroso, para homenagear a esposa falecida em janeiro deste ano. Tereza faleceu em função de um tumor cerebral e mais detalhes não foram revelados, em respeito aos filhos do casal. O atual presidente, dois dias após o falecimento da esposa, postou a letra em suas redes sociais para agradecer às condolências e homenagens dos amigos. Destaque para a emoção de um dos candidatos à vaga, ou de Procurador, ou até mesmo de ministro, atual AGU, Jorge Messias. Ele não segurou as lágrimas. Fã declarado de Maria Bethânia, Barroso convidou a intérprete, à princípio, para cantar o Hino Nacional no início da cerimônia, mais emoção.
