A vacinação dominou o noticiário brasileiro nos últimos meses e a cobrança por um processo mais rápido tem pressionado o Governo Federal, que já atua para garantir os imunizantes à população.
Para entrar nessa discussão, é preciso colocar a ideologia de lado e analisar diversos fatores que impactam o processo. O Brasil é um país continental e o mais populoso de toda a América do Sul. Isso, por si só, já aumenta a logística e o tempo necessário para vacinar toda a população. Chega a ser injusto comparar os números daqui com os de nações menores.
Mas, ainda assim, estamos à frente de muitos países desenvolvidos. Na última semana, alcançamos um novo recorde de doses diárias aplicadas desde o início da campanha de imunização e ocupamos o quinto lugar no ranking mundial de vacinação contra a Covid-19, de acordo com projeto “Our World in Data”, da Universidade de Oxford.
Estamos atrás apenas dos Estados Unidos, China, Índia e Reino Unido, que possuem empresas produtoras de imunizantes instaladas em seus territórios. Isso mostra que estamos no caminho certo. Considerando a proporção de doses aplicadas por habitantes, estamos à frente da China e Índia, países que desenvolveram vacinas contra a Covid-19.
Israel tem sido usado como exemplo, em algumas análises que criticam o processo de imunização brasileiro, porque possui o maior percentual de vacinados do mundo. É uma comparação injusta se considerarmos o fato de que o país tem uma população de quase 9 milhões, número bem abaixo do que temos somente na cidade de São Paulo, por exemplo, que possui mais 12 milhões de habitantes.
O número de doses aplicadas no Brasil, inclusive já ultrapassou a população inteira de Israel. Segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa atualizado até o fechamento desta coluna, foram aplicadas 14.180.274 doses em todo o país. Isso evidencia que tal comparação é inadequada.
O debate sobre o atraso da vacinação em relação aos outros países precisa ser correto. Discussões parciais e a superficialidade na análise de dados não passam de tentativas de invalidar o trabalho do Governo Federal.
O Brasil sempre foi referência na vacinação em massa e desta vez não será diferente, mesmo com todos os obstáculos. Assim como outras nações, enfrentamos dificuldades logísticas e tivemos algumas falhas, mas a União continua trabalhando para conseguir trazer recursos e acelerar a disponibilização dos imunizantes. É preciso lembrar que o Ministério da Saúde anunciou esta semana que 562,9 milhões de doses foram contratadas com entrega prevista para 2021.
A vacinação é uma das armas mais eficientes contra o novo coronavírus, mas precisamos percorrer um longo caminho e isso depende de esforços de todas as esferas: federal, estaduais e municipais. Além disso, não devemos aceitar a flexibilização na aquisição de doses para municípios e empresas. O assunto, que está sendo amplamente discutido, pode criar uma disputa que aumentaria o preço dos imunizantes no mercado.
Comparações errôneas e debates rasos que nada agregam na batalha contra a Covid-19 precisam ser colocados de lado. O nosso foco deve estar na proteção da população brasileira para evitar que mais vidas sejam perdidas e possamos voltar à normalidade o mais breve possível.