O luxo também se serve à mesa

Entenda como marcas de luxo usam experiências, hospitalidade e gastronomia para criar conexão, desejo e pertencimento

Durante décadas, parte do luxo foi construída justamente sobre a distância: o raro, o exclusivo, aquilo que poucos poderiam possuir. Foto: Divulgação

O luxo sempre foi admirado à distância.

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Agora, ele convida você para sentar à mesa.

Em poucos anos, algumas das maiores marcas de luxo do mundo fizeram um movimento curioso: levaram seus universos para cafés, chocolates, restaurantes e experiências gastronômicas.

À primeira vista, poderia parecer apenas diversificação.

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Mas a resposta não está no chocolate. Está no comportamento.

O que mudou não foi apenas aquilo que as pessoas desejam comprar. Mudou também a distância que elas aceitam manter das marcas que admiram.

Durante décadas, parte do luxo foi construída justamente sobre a distância: o raro, o exclusivo, aquilo que poucos poderiam possuir.

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Hoje, sem abandonar esses códigos, algumas marcas descobriram outra maneira de produzir desejo: permitir que as pessoas entrem em seu universo antes mesmo de possuírem seus produtos.

Quando a Louis Vuitton leva sua narrativa para cafés e chocolates, a Prada preserva e expande a histórica Pasticceria Marchesi, a Tiffany transforma o imaginário de Breakfast at Tiffany’s em experiência no Blue Box Café ou a Gucci aproxima moda e gastronomia na Gucci Osteria, o movimento não é apenas estético. É estratégico.

Porque desejo não nasce somente daquilo que se vê.

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Pode surgir de um aroma, de um sabor, da música, da luz, de um ambiente, de um gesto de serviço ou da maneira como alguém é recebido.

Recentemente, vivi algo semelhante em uma experiência da Carolina Herrera construída em torno do universo 212. Na 212 Mansion, não encontrei apenas um produto sendo apresentado. Havia um percurso: ambientes, música, gastronomia, jogos, objetos e códigos da marca que convidavam a circular, descobrir e participar.

E ali uma ideia ficou ainda mais clara para mim: experiência não é cenário. É percurso.

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Quando uma marca consegue fazer isso, ela deixa de apenas se apresentar. Ela começa a receber.

É uma forma de hospitalidade.

Antes de vender uma bolsa, uma joia, um perfume ou uma peça de roupa, a marca oferece alguns minutos dentro de seu universo. E transforma espaço, serviço e atmosfera em memória.

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Talvez esteja aí uma das mudanças mais interessantes do luxo contemporâneo: a passagem da posse para a participação.

Produtos são comprados. Universos são habitados.

E essa lógica vai muito além do luxo.

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Uma marca memorável não se limita ao que comercializa. Ela constrói linguagem, rituais e uma maneira própria de se relacionar. Cada ponto de contato ajuda a responder uma pergunta silenciosa: como quero que alguém se sinta quando entra no meu mundo?

Por isso, gestão de marca está se tornando também gestão da experiência.

E experiências consistentes não surgem por acaso. Exigem cultura, liderança, processos, escuta e sensibilidade.

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É justamente aí que a hospitalidade deixa de ser apenas uma competência dos hotéis e revela algo maior: hospitalidade também é uma maneira de construir marcas.

O luxo não deixou de habitar objetos raros. Apenas ampliou seu território para alcançar também aquilo que se vive.

Talvez seja por isso que tantas marcas estejam criando mesas, espaços e experiências ao redor de seus produtos.

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Em um mundo em que tudo pode ser cada vez mais comparado e encontrado, a forma como uma marca nos faz sentir pode ser justamente aquilo que não conseguimos comparar.

E então fica a pergunta: sua empresa vende produtos — ou constrói um universo ao qual as pessoas desejam pertencer?