A pandemia é a pá de cal

Não é a pandemia que está acabando com o nosso país, é o escárnio da corrupção, da ganância e do mau-caratismo

Fila enorme na agência da Caixa na Rua Comendador Cantinho, zona leste de São Paulo, para receber o auxílio emergencial

Fila enorme na agência da Caixa na Rua Comendador Cantinho, zona leste de São Paulo, para receber o auxílio emergencial | Paulo Guereta/Folhapress

A dona da casa ficou doente e foi parar no hospital. O filho mais velho ficou administrando a casa, porém em vez de prover água e alimento para os irmãos, comprou latas e latas de leite condensado, cerveja e picanha para um churrasco com os amigos. O filho mais novo até que ficou indignado com essa atitude, porém acabou gastando o dinheiro da mãe com posts patrocinados no Instagram e Facebook. Agora, a dona da casa está na UTI e não tem dinheiro para sustentar a casa e tampouco para procurar uma vaga em um hospital particular.

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Essa história acima parece um tanto quanto improvável e até esdrúxula, no entanto é o que acontece com o nosso país neste momento. Basta substituir os personagens. Os brasileiros são os donos da casa que trabalham e sustentam o País e os filhos são os nossos governantes, que recebem nosso dinheiro e o utiliza para o bel prazer ao invés de usá-lo em benefício da nação.

Enquanto 14 milhões de pessoas estão passando dificuldade para pagar as contas e mais de 260 mil famílias perderam seus entes queridos pelo coronavírus, os deputados e senadores estão discutindo no Congresso como aprovar um novo auxílio emergencial sem ultrapassar o teto de limite de gastos. Ora, não é preciso fazer muitas contas, somente acabar com os privilégios, pensões vitalícias e desperdício do dinheiro público, que a conta fecha.

A ver: R$ 500 mil em cerveja, R$ 82 milhões da picanha para as forças armadas, mais os R$ 15 milhões de leite condensado para o Planalto. Soma-se uma verba de cerca de R$ 97,5 milhões.

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Incluímos também os gastos do governador paulista com publicidade previstos para esse ano R$ 153 milhões. Esse total, R$ 250,5 milhões, poderia ganhar mais corpo se ainda contássemos com as verbas desviadas na compra de respiradores, o superfaturamento de contratos nos municípios, os altos salários de magistrados, políticos e seus assessores.

Enquanto isso, o brasileiro vive à míngua na dúvida se é melhor se arriscar sair na rua e se contaminar com a Covid-19 ou ficar dentro de casa e passar fome. Não é a pandemia que está acabando com o nosso país, é o escárnio da corrupção, da ganância e do mau-caratismo. Precisamos de uma ação conjunta, de uma força-tarefa de todas as esferas de governo para garantir auxílio financeiro para as famílias e para os comerciantes e salvar o País de uma grave recessão e crise sem precedentes. Estamos vivendo tempos sombrios e enquanto os filhos egoístas continuarem pensando somente neles, a pátria-mãe vai continuar doente.