Esperança em doses

Mesmo em ritmo mais lento do que o necessário, estamos avançando para deixar a pandemia somente na história e não mais no nosso cotidiano

Vacinação a idosos de 90 anos ou mais começou em 5 de janeiro na cidade de São Paulo

Vacinação a idosos de 90 anos ou mais começou em 5 de janeiro na cidade de São Paulo | Divulgação/Secretaria da Saúde

Acalentador terminar a semana vendo a imagem dos idosos com mais de 90 anos serem vacinados contra o coronavírus em São Paulo. Cada dose aplicada traz consigo a esperança de dias melhores, o fim da espera do abraço e a certeza da vida. A antecipação da vacina para o público-geral é uma ótima novidade em um momento triste da história nacional e mundial.

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Assistimos aos poucos às notícias de casos e mortes serem substituídas pelas da vacinação. Mesmo que em ritmo mais lento do que o necessário estamos avançando para deixar a pandemia somente na história e não mais no nosso cotidiano. Nesta semana, o estado de São Paulo alcançou o número de 700 mil pessoas imunizadas com a primeira dose da CoronaVac. Em contraponto, somamos mais de 1,8 milhão de casos e cerca de 54 mil mortes pelo coronavírus.

Se deixarem a ciência trabalhar, a tendência é que o número de imunizados logo supere o de casos e a tragédia. Na próxima semana, a vacinação deve ser ampliada para os idosos entre 85 e 89 anos. O calendário para as outras faixas etárias ainda não foi divulgado, e a corrida é contra o tempo para conseguir a quantidade de vacinas necessárias. Pelo menos, segundo o governo do Estado, as segundas doses do público vacinado neste início estão garantidas.

Essas boas notícias chegam na semana em que uma reportagem da revista “Piauí” revela que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recusou três ofertas da CoronaVac no ano passado. O Instituto Butantan ofereceu milhões de doses do imunizante em 30 de julho, 18 de agosto e 7 de outubro, mas o governo nunca se interessou.

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Na terceira vez, segundo a revista, o próprio Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, entregou o ofício em mãos ao ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que fez uma expressão contrariada, mas não disse nada.

Quase duas semanas depois, o Ministério da Saúde mandou uma carta ao Butantan tratando da intenção de comprar 46 milhões de doses da CoronaVac, mas Bolsonaro logo deu ordens para suspender tudo e, publicamente, garantiu que não compraria nenhuma dose da “vacina chinesa do Doria”. Que bom, e que pena que tão tarde, que o presidente mudou de ideia em janeiro.

A ciência não resolve tudo, mas é o norte quando o assunto é uma pandemia. A torcida agora é que a imunização chegue a mais pessoas, seja com a CoronaVac, com a de Oxford ou qualquer outra autorizada por cientistas. O negacionismo não deveria ter vez e nem voz quando a esperança é a outra opção.