Velha política: Governo deixou de lado a população para afagar deputados e ampliar sua base aliada

Após destinar bilhões dos cofres públicos para 'conquistar' o apoio do Congresso, o presidente usa o pouco excedente em caixa para pagar apenas as despesas obrigatórias

Jair Bolsonaro (PL)

Jair Bolsonaro (PL) | Pedro Ladeira/Folhapress

Desde 2019, o governo Federal vem batendo recordes de arrecadação (impostos + aluguel ou venda de bens da União + prestação de serviços + títulos do Tesouro Nacional + indenizações), chegando aos índices mais altos dos últimos 28 anos. No entanto, apesar das enormes cifras engordando o caixa do Estado, o teto de gastos e a política econômica de Bolsonaro e Guedes impediram que estes recursos chegassem às áreas mais necessitadas. 

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Para se ter uma ideia, dos 15 bilhões de reais congelados pelo governo apenas em 2022, 60% são da saúde, educação e desenvolvimento regional somadas. O presidente da República e o ministro da Economia, afirmam que os cortes em serviços essenciais seriam necessários para que o teto de gastos não fosse ultrapassado. Acontece que, por ao menos 5 vezes desde 2019, o inominável extrapolou este teto, totalizando R$213 bilhões de reais gastos além dos limites impostos pela Emenda Constitucional 95. 

O resultado é que não há recursos para a merenda escolar; para remédios no posto de saúde; para a confecção de passaportes e o controle migratório pela Polícia Federal; pagar fornecedores; bolsas dos estudantes e serviços como a limpeza e a segurança de equipamentos públicos, seja uma escola, creche, posto de saúde, hospital ou universidade. Na área ambiental, o Ibama, ICMBio e o INPE respiram por aparelhos. Os servidores não têm dinheiro sequer para ir à campo, tendo que trabalhar de forma remota, prejudicando o trabalho fundamental de fiscalização do Ibama, por exemplo, que teve um corte de R$90 milhões. 

Se engana quem acha que esta não é uma decisão política, uma vez que o governo deliberadamente deixou de honrar seus compromissos com a população para afagar deputados e ampliar sua base aliada. Foi uma opção de Bolsonaro, por exemplo, priorizar o Orçamento Secreto, que, ao invés de destinar recursos para atender uma política pública para determinado setor, os canaliza para que parlamentares contemplem suas bases através de emendas. 

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Após destinar bilhões dos cofres públicos para “conquistar” o apoio do Congresso, o presidente usa o pouco excedente em caixa para pagar apenas algumas das despesas obrigatórias, que nem sempre são quitadas, acabando com os investimentos em serviços essenciais e gerando uma enorme dívida que ele pretende repassar para o próximo presidente.