Conheça Chaguinhas – o herói paulista protetor da Liberdade

Descubra a história de Chaguinhas, o militar que sobreviveu três vezes à forca em São Paulo e deu nome ao tradicional bairro da Liberdade

Chaguinhas passou a última noite de vida em uma cela adaptada onde hoje fica a Capela de Nossa Senhora dos Aflitos/Francisco Baraglia/Wikimedia Commons

No dia 20 de setembro de 1881 houve uma tentativa de enforcamento, uma execução e o nascimento de um herói Paulistano que batizou o bairro da Liberdade.

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Entre o final do mês de junho e o início de julho do ano de 1821 – um ano e pouco antes da proclamação da Independência, houve um levante contra o exército português na baixada Santista.

Francisco José das Chagas –  o Chaguinhas, Joaquim Cotindiba e outros militares do exército nativo, se insurgiram contra o comando do exército português, pelo não pagamento correto de soldos e pela ausência da oferta de equipamentos e fardamentos.

Um disclaimer, esse tempo existia o exército português (para portugueses e descendentes de portugueses e um exército nativo (majoritariamente formado por negros forros e indígenas).

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Como já disse, Chaguinhas, Cotindiba e outros militares brasileiros se insurgiram contra forças portuguesas, tomando fortes da baixada santista e sustentando essa revolta por 10 dias, até serem suprimidos por um contingente muito maior vindo de São Paulo.

A maior parte desses brasileiros morreram lá em santos mesmo, mas Chaguinhas e Cotindiba foram trazidos aqui para São Paulo para serem executados na frente de mais gente, para mostrar para o povo o destino de quem se insurgisse contra a coroa portuguesa.

A dupla passou a última noite de vida em uma cela adaptada, onde hoje se encontra o velário da Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, que guarda a memória do preambular Cemitério dos Aflitos, provavelmente o mais antigo cemitério em Campo aberto da Cidade – fundado em 03 de outubro de 1775 e que descansa sob o bairro da Liberdade. Sim, embaixo do bairro da Liberdade há até hoje um cemitério, mas em outubro conto melhor isso para vocês.

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Na manhã do dia 20 de setembro de 1821, Chaguinhas e Cotindiba são levados a forca localizada onde hoje é a igreja da Santa Cruz das Almas dos Enforcados, na frente do largo da liberdade.

Cotindiba é o primeiro a enfrentar a forca e ela funciona como aguardado.

Logo depois a corda é colocada no pescoço de Chaguinhas e, ao ser solto, a forca arrebenta. O representante da Igreja exige a interrupção da execução, o povo pede clemência, mas os militares da coroa, colocam outra forca no pescoço de Chaguinhas e seguem a execução.

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Ao ser solto do partibulo, a corda arrebenta novamente e o povo que clamava por clemência, passa a gritar Liberdade, aliás, popularmente, dizem que esse foi o instante do batismo do bairro da Liberdade com sua graça.

Uma terceira corda reforçada de couro é colocada no pescoço de Chaguinhas e o desfecho tem duas versões: uma de que a corda arrebenta novamente e outra que depois de Chaguinhas não morrer, ele é solto. Nas duas versões ele morre a facadas e/ou pauladas.

Acredita-se que Chaguinhas foi enterrado no Cemitério dos Aflitos e lá renasce para ser um milagreiro para seus devotos ou um protetor do bairro da Liberdade e do sentido dessa expressão, sempre sentinela contra injustiças, abusos e apagamentos.