No dia 20 de setembro de 1881 houve uma tentativa de enforcamento, uma execução e o nascimento de um herói Paulistano que batizou o bairro da Liberdade.
Entre o final do mês de junho e o início de julho do ano de 1821 – um ano e pouco antes da proclamação da Independência, houve um levante contra o exército português na baixada Santista.
Francisco José das Chagas – o Chaguinhas, Joaquim Cotindiba e outros militares do exército nativo, se insurgiram contra o comando do exército português, pelo não pagamento correto de soldos e pela ausência da oferta de equipamentos e fardamentos.
Um disclaimer, esse tempo existia o exército português (para portugueses e descendentes de portugueses e um exército nativo (majoritariamente formado por negros forros e indígenas).
Como já disse, Chaguinhas, Cotindiba e outros militares brasileiros se insurgiram contra forças portuguesas, tomando fortes da baixada santista e sustentando essa revolta por 10 dias, até serem suprimidos por um contingente muito maior vindo de São Paulo.
A maior parte desses brasileiros morreram lá em santos mesmo, mas Chaguinhas e Cotindiba foram trazidos aqui para São Paulo para serem executados na frente de mais gente, para mostrar para o povo o destino de quem se insurgisse contra a coroa portuguesa.
A dupla passou a última noite de vida em uma cela adaptada, onde hoje se encontra o velário da Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, que guarda a memória do preambular Cemitério dos Aflitos, provavelmente o mais antigo cemitério em Campo aberto da Cidade – fundado em 03 de outubro de 1775 e que descansa sob o bairro da Liberdade. Sim, embaixo do bairro da Liberdade há até hoje um cemitério, mas em outubro conto melhor isso para vocês.
Na manhã do dia 20 de setembro de 1821, Chaguinhas e Cotindiba são levados a forca localizada onde hoje é a igreja da Santa Cruz das Almas dos Enforcados, na frente do largo da liberdade.
Cotindiba é o primeiro a enfrentar a forca e ela funciona como aguardado.
Logo depois a corda é colocada no pescoço de Chaguinhas e, ao ser solto, a forca arrebenta. O representante da Igreja exige a interrupção da execução, o povo pede clemência, mas os militares da coroa, colocam outra forca no pescoço de Chaguinhas e seguem a execução.
Ao ser solto do partibulo, a corda arrebenta novamente e o povo que clamava por clemência, passa a gritar Liberdade, aliás, popularmente, dizem que esse foi o instante do batismo do bairro da Liberdade com sua graça.
Uma terceira corda reforçada de couro é colocada no pescoço de Chaguinhas e o desfecho tem duas versões: uma de que a corda arrebenta novamente e outra que depois de Chaguinhas não morrer, ele é solto. Nas duas versões ele morre a facadas e/ou pauladas.
Acredita-se que Chaguinhas foi enterrado no Cemitério dos Aflitos e lá renasce para ser um milagreiro para seus devotos ou um protetor do bairro da Liberdade e do sentido dessa expressão, sempre sentinela contra injustiças, abusos e apagamentos.
