Uma geração está sempre em contraponto a outra. Bob Dylan em “The Times They Are A-Changin’” cantou o verso “A sua estrada está rapidamente se desfazendo”. Essas palavras indicavam um novo tempo, um protesto contra ideias antigas e, efetivamente, uma mudança de olhares geracionais.
A geração Z, conhecida por ser a primeira a ser nativa digital, vive as contradições de dois tempos distintos e bastante efervescentes ainda hoje.
O primeiro cenário diz respeito ao contemporâneo. As redes sociais provocam um senso de imediatismo, busca incessante por novos hábitos, performances e nuances. Além disso, a quantidade exorbitante de músicas a disposição de um clique faz com que o hábito de escuta de usuários dessa geração seja, à primeira vista, intolerante.
Faz parte desse cenário a criação de playlists desorganizadas, que congregam o mesmo gênero musical, a assimilação de algoritmos que agradem e tornem a escuta dessa geração uma bolha intransponível e a escuta como algo superficial e repetitivo.
No entanto, há um segundo cenário que ronda a Geração Z que é a do detox e nostalgia. Seja uma nostalgia vivida nos anos 2000, com cores saturadas, design maximalista e utopias tecnológicas, que se desdobram em gêneros como o trap experimental, hyperpop e uma espécie de música eletrônica mais ruidosa.
Seja também em uma nostalgia não vivida, como o resgate de álbuns de MPB como “Tábua de Esmeralda”, “Clube Da Esquina”, “Gal Fatal” e até mesmo os repetitivos títulos de Roberto Carlos, proporcionando uma série de artistas conhecidos como nova MPB, rock experimental e a produção de álbuns quanto obras completas, indo em contramão ao mercado que prioriza o single como matéria de divulgação musical.
Há na Geração Z um dilema entre o uso das redes e o total afastamento delas. Não à toa vemos uma alta no consumo de vinil, fotografia analógica, sebos, coleções de livros da década de 70. Mas também a assimilação da internet como força de pesquisa e busca por uma pluralidade na audição. Um pouco de funk, um pouco de música clássica.
Do K-pop ao Rock Experimental, a Gen Z é a que mais determina lines de festivais. É, segundo a Luminate, a geração que mais consome esse formato de show, superando os Millennials. Um exemplo claro foi o line do Rock In Rio 2026, que tinha em seu line os consagrados Elton John e Gilberto Gil. Contrastando com o Stray Kids, grupo de K-pop que move multidões e lota estádios.
O line deixa escancarado como a Geração Z é complexa e tem hábitos diversos, sendo difícil mapear apenas uma forma de consumo única. Para além de um panorama comercial, este recorte faz com que os nativos digitais tenham uma série de pormenores a serem solucionados, seja no hábito de escuta ou até mesmo na sua forma de enxergar o mundo.
