O alto número de mortalidade de animais marinhos no litoral de São Paulo chamou a atenção de cientistas do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), que investigam o caso. Só no mês de agosto, mais de 350 animais marinhos foram encontrados mortos.
Cerca de 90% dos animais mortos foram encontrados em Ilha Comprida. Os que ainda são resgatados com vida são encaminhados para um centro de recuperação para, mais tarde, serem soltos no mar novamente. Aqueles que são encontrados mortos são levados para laboratórios para serem analisados.
Até o momento, 272 pinguins-de-magalhães, tartarugas-verdes e outros animais foram encontrados em todo o litoral, totalizando 362 espécimes mortas. O número é bem maior do que o registrado em 2017. Do dia 1º ao dia 9 de agosto, apenas três pinguins foram encontrados em Ilha Comprida, enquanto, em 2018, este número saltou para 212.
Os pinguins-de-magalhães normalmente só são encontrados no Brasil no período mais frio, quando os animais encontram mais comidas e águas mais quentes. Os pinguins-de-magalhães habitam as zonas costeiras da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas, migrando por vezes até o Brasil, no Oceano Atlântico, ou até o Peru, no caso das populações do Oceano Pacífico. A migração acontece no período mais frio, quando os animais podem encontrar na costa brasileira águas mais quentes e comida mais farta, pois cardumes de peixes também migram por conta das baixas temperaturas. Segundo pesquisadores do IPeC, a maior parte das espécimes mortas estava em fase juvenil. Por ainda serem inexperientes, muitos deveriam estar em sua primeira grande viagem, podendo se afastar do grupo, ficar cansados e com fome.
*Matéria produzida por Suzana Scheibel