No dia 7 de outubro, João Doria (PSDB) e 16 dos 55 vereadores paulistas irão concorrer a novos cargos nas Eleições Gerais de 2018. O ex-prefeito quer o governo paulista, enquanto os parlamentares buscam vagas no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Nesta reportagem, a terceira da série especial da Gazeta “Álbum das Eleições”, você confere as figurinhas dos candidatos que usaram o mandato como trampolim para alcançar outras funções.
Em uma campanha que será curta – 52 dias ao todo –, esses políticos ocupam o centro da estratégia partidária, tanto pela capacidade de gerir recursos materiais, como gabinete, funcionários e transporte, quanto pela relação que eles mantém com suas bases eleitorais.
O uso da máquina pública, inclusive, terminou mal para Doria, que na última semana foi condenado por improbidade administrativa pelo uso do slogan “SP Cidade Linda” durante sua gestão de 15 meses em São Paulo. O tucano teve seus direitos políticos cassados por quatro anos, mas só precisará cumprir pena caso sua condenação seja mantida em segunda instância.
O mesmo fenômeno ocorre na Câmara Municipal de São Paulo, que terá Eduardo Suplicy (PT) e Mario Covas Neto (Podemos) candidatos a senador; David Soares (DEM), Ricardo Nunes (MDB), Ricardo Teixeira (PROS), Caio Miranda (PSB), Eliseu Gabriel (PSB), Sâmia Bomfim (PSOL), Alfredinho (PT), Juliana Cardoso (PT) e Gilberto Natalini (PV) como postulantes a deputado federal; e Zé Turin (PHS), Conte Lopes (PP), Aurélio Nomura (PSDB), Patrícia Bezerra (PSDB) e Toninho Vespoli (PSOL) buscando uma vaga na Alesp.
Nomura e Sâmia, que no ano passado estiveram entre os vereadores que menos utilizaram o correio – pago com dinheiro público –, aumentaram vertiginosamente seus gastos com o serviço em 2018.
Entre janeiro e junho deste ano, meses para os quais o Legislativo já divulgou seus relatórios de despesas, o tucano gastou cerca de R$ 12 mil no envio de correspondências, material de divulgação e cartões comemorativos. No mesmo período do ano passado ele havia utilizado pouco mais de R$ 1 mil, diferença superior a 900%.
Sâmia, mais jovem mulher eleita na cidade, investiu aproximadamente R$ 23 mil com o serviço no primeiro semestre. Ao longo de 2017, apenas R$ 1.257 foram utilizados, uma diferença maior que 1.700%.
Na soma de todos os mandatos, o valor utilizado pelos parlamentares paulistanos com o correio cresceu cerca de 30% em um ano, passando de R$ 370 mil para mais de R$ 500 mil.
Mandatos
Ao contrário de Doria – vencedor de um primeiro turno em São Paulo pela primeira vez desde 1992 –, que precisou renunciar ao mandato no qual prometeu ficar até o final de 2020, a lei atual permite que parlamentares continuem no cargo durante a campanha eleitoral, mesmo disputando outro cargo legislativo. Ou seja, todos os vereadores que tentarão se eleger em outubro poderão voltar a exercer normalmente suas funções caso percam a disputa.