A pouco mais de uma semana do 1º turno das Eleições 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) iniciou a preparação das urnas eletrônicas que serão utilizadas no pleito. Ao todo, mais de 114,5 mil equipamentos passam pelo procedimento no estado, incluindo as urnas destinadas às cerca de 104 mil seções eleitorais e máquinas mantidas como reserva para eventuais substituições.
O processo começou nesta quarta-feira (23) e ocorre nos 393 cartórios eleitorais de São Paulo. Na capital, são mais de 28 mil urnas envolvidas na preparação.
Mas o que, de fato, acontece com uma urna antes de ela chegar ao local de votação? O procedimento envolve uma sequência de etapas para inserir os dados necessários para a eleição, testar o funcionamento dos equipamentos e impedir alterações posteriores.
Como os dados chegam à urna?
A preparação começa com a chamada geração de mídias, dispositivos semelhantes a pen drives que são utilizados pela Justiça Eleitoral para transferir informações aos equipamentos.
Os cartórios recebem, por meio de uma rede privada da Justiça Eleitoral, arquivos criptografados com os sistemas que serão utilizados na votação e informações como os dados do eleitorado de cada seção e os nomes e números das candidaturas.
Esses dados são então gravados nas mídias removíveis e inseridos individualmente nas urnas. De acordo com o TRE-SP, as urnas não possuem conexão com a internet, por isso as informações são transferidas por esse procedimento. Depois da instalação dos sistemas, a própria urna realiza testes automáticos para verificar se os componentes estão funcionando corretamente.
Por que as urnas são lacradas?
Depois de preparadas e testadas, as urnas são lacradas. Em São Paulo, são utilizados nove lacres de segurança em cada equipamento, produzidos pela Casa da Moeda, numerados e assinados pelo juiz eleitoral responsável.
Os lacres possuem mecanismos que permitem identificar uma eventual violação. Segundo o TRE-SP, caso sejam retirados, uma marca d’água fica visível no equipamento. A urna também é programada para funcionar somente na data da eleição. Após a lacração, os equipamentos ficam armazenados em local seguro nos cartórios eleitorais e são transportados para os locais de votação na véspera do pleito, com escolta das forças de segurança.
Quem pode acompanhar a preparação?
A chamada cerimônia de carga e lacração é pública. Podem acompanhar o procedimento representantes de partidos políticos, federações, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), missões de observação eleitoral, entidades fiscalizadoras e qualquer cidadão interessado.
A possibilidade de acompanhamento faz parte dos mecanismos de transparência do processo eleitoral. No caso do Polo Sudoeste da capital, por exemplo, o TRE-SP informou que os cartórios permanecerão abertos das 8h às 18h para quem quiser acompanhar os trabalhos. A cerimônia deve ser concluída até 2 de outubro, antevéspera do primeiro turno. A votação está marcada para 4 de outubro.
E a urna pode ser alterada depois de lacrada?
Segundo a Justiça Eleitoral, os sistemas utilizados nas eleições passam por outras etapas de segurança antes mesmo da preparação das urnas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza a assinatura digital e a lacração dos sistemas eleitorais em Brasília. A partir desse procedimento, os programas são protegidos contra alterações posteriores.
Além disso, os sistemas eleitorais ficam disponíveis para inspeção por entidades fiscalizadoras um ano antes das eleições. Podem participar desse processo representantes de partidos e federações, Ministério Público, Polícia Federal, universidades, especialistas e outras instituições credenciadas.
Também existe o Teste Público de Segurança, no qual especialistas em tecnologia são convidados a tentar identificar possíveis vulnerabilidades e contribuir para o aperfeiçoamento dos sistemas.
Por que existe tanta fiscalização?
A segurança das urnas se tornou um dos assuntos mais discutidos nas últimas eleições. Questionamentos sobre a confiabilidade do sistema eletrônico já eram feitos antes mesmo das eleições de 2022 e ganharam força naquele período.
O então presidente Jair Bolsonaro, que havia sido eleito em 2018, fez repetidos questionamentos sobre as urnas durante seu mandato. Em 2021, o TSE abriu um inquérito administrativo para apurar denúncias de supostas fraudes apresentadas sem provas. Já durante as eleições de 2022, circularam nas redes sociais diversas alegações falsas sobre as urnas, os boletins de urna e a totalização dos votos.
Após o pleito de 2022, diferentes instituições realizaram auditorias sobre o processo eleitoral. O Tribunal de Contas da União (TCU), por exemplo, acompanhou as eleições desde 2021 e concluiu, em dezembro de 2023, uma série de auditorias que analisaram etapas que iam da preparação das urnas à totalização dos votos. O órgão informou não ter identificado irregularidades que comprometessem a segurança ou a confiabilidade do processo. Há mecanismos de controle antes, durante e depois da votação.
O que será auditado nas Eleições 2026?
Em São Paulo, 43 urnas eletrônicas serão escolhidas ou sorteadas para passar por auditorias no dia da eleição.
Uma delas é o Teste de Integridade, realizado durante o horário oficial de votação. Nele, votos previamente preparados são inseridos na urna eletrônica e também contabilizados por outro sistema, permitindo comparar posteriormente os resultados.
Há ainda o Teste de Integridade com biometria, que utiliza eleitores voluntários para participar da auditoria, e o Teste de Autenticidade, realizado antes do início da votação para verificar se os programas instalados nas urnas são os mesmos que foram assinados e lacrados pelo TSE.
O objetivo desses procedimentos é verificar, por diferentes métodos, se a urna registra corretamente os votos e se os programas utilizados são aqueles oficialmente preparados pela Justiça Eleitoral.
Quando o eleitor verá a urna?
Depois de todo esse processo, as urnas são transportadas aos locais de votação e instaladas nas seções eleitorais.
No dia 4 de outubro, os eleitores poderão votar para seis cargos: deputado federal, deputado estadual, senador (duas vezes), governador e presidente da República. Como serão dois votos para o Senado, a Justiça Eleitoral recomenda que o eleitor leve a chamada “colinha eleitoral”, com os números das candidaturas anotados em papel. O celular não pode ser levado para a cabine de votação.






