Temer deve sancionar reajuste de 16,38% para Supremo

Em conversas reservadas, Temer afirmou que concederá o aumento em troca do compromisso de ministros da Suprema Corte de rever o pagamento do auxílio-moradia Por Folhapress

O presidente Michel Temer (MDB) deve sancionar até quarta-feira (28) o projeto de lei que reajusta em 16,38% o salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

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Em conversas reservadas, ele já afirmou que concederá o aumento em troca do compromisso de ministros da Suprema Corte de rever o pagamento do auxílio-moradia.

Na semana retrasada, o presidente evitou se comprometer com a sanção do reajuste em encontro, no Palácio do Jaburu, com os ministros José Dias Toffoli e Luiz Fux.

Segundo auxiliares presidenciais, a postura, contudo, não representa um recuo. Ela teve como objetivo pressionar os magistrados a concederem uma contrapartida imediata ao aumento.

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O esforço de Temer é para que Fux revogue nesta semana liminar concedida por ele em 2014 que garante o pagamento de auxílio-moradia a juízes federais, o que teria efeito mais rápido do que um debate sobre o tema em plenário.

O aumento ao STF foi aprovado no Senado no início do mês. No mesmo dia, horas antes da votação, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), disse que o momento não era apropriado para o reajuste, que impacta todo o funcionalismo.

O valor irá dos atuais R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil.

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Com o esperado efeito cascata, que deverá gerar aumento para os juízes estaduais e elevar o teto do Executivo e do Legislativo, o impacto calculado por técnicos do Senado e da Câmara é de cerca de R$ 4 bilhões por ano.

O auxílio-moradia é garantido desde 2014 por decisão liminar de Fux que ainda não foi julgada pelo plenário. Ele tanto poderá revogar a liminar em decisão individual como pedir para ser pautada em plenário.

Toffoli tem argumentado que o reajuste salarial não vai aumentar os gastos do Judiciário. Para ele, os tribunais preveem remanejar internamente seus recursos para fazer frente ao aumento, tirando de outras rubricas.

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Nessa conta, os ministros não incluem os gastos gerados pelo efeito cascata nos demais poderes e nos tribunais estaduais. Ministros do Supremo, incluindo Toffoli, têm defendido que seus subsídios deixem de representar o teto do funcionalismo.

Na sexta-feira (23), a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) peticionou a Fux para que ele não revogue o auxílio-moradia de um modo que cause perdas nos vencimentos dos magistrados, justamente porque o benefício pago hoje não é tributável.

“Não parece razoável que a concessão da Revisão Geral Anual dos subsídios [o reajuste salarial] venha a impor uma redução do valor nominal ou real da remuneração atualmente recebida pelos magistrados”, argumentou a entidade da categoria.