O Museu da Língua Portuguesa, localizado na estação da Luz, no centro de São Paulo, era um dos mais visitado da América Latina quando um incêndio destruiu boa parte de sua estrutura em dezembro de 2015. À época, o então governador Geraldo Alckmin (PSDB) garantiu que iria “imediatamente tomar todas as providências para a sua reconstrução”. Hoje, três anos depois, as obras continuam a ser realizadas. A previsão é que o espaço em homenagem ao idioma de Machado de Assis e Rachel de Queiroz seja reaberto ao público até dezembro de 2019.
A sorte da instituição paulistana é o fato de seu acervo ser digital, e não houve destruição perene de nenhum bem valioso. Não foi o caso de incêndios em outras instituições culturais e de pesquisa na capital paulista nos últimos anos, como o Instituto Butantan (2010), o Memorial da América Latina (2013) e a Cinemateca Brasileira (2016).
O produtor cultural Antonio Carlos Sartini, que era diretor do Museu da Língua Portuguesa em 2015, afirmou que o incêndio foi um dos momentos mais tristes de sua vida.
Disse ainda, em entrevista à “BBC Brasil” em setembro deste ano, que o poder público não precisa construir mais bens culturais, mas, primeiro, preservar os que já existem, lembrando também do incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro.
“Não precisamos de mais teatros, mais museus, mais lindas e mirabolantes bibliotecas. É o momento de pararmos. Diante de uma crise profunda que o País vive e continuará vivendo nos próximos anos, é hora de fazermos uma análise de como estão os equipamentos culturais”, afirmou ao site da BBC.
A Gazeta está fazendo uma série de reportagens sobre a situação dos museus do estado de São Paulo. Em 18 de novembro, o jornal publicou sobre o Museu das Monções, na cidade de Porto Feliz, que está fechado há oito anos por risco de desabar e não tem previsão de reabertura. A instituição é gerida por pelo governo do Estado.
Este jornal vai publicar ainda este ano como estão as obras do Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga, na Capital, administrado pela Universidade de São Paulo (USP) e fechado desde 2013.
AS OBRAS
Em janeiro de 2016 foi firmado um convênio entre a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a Fundação Roberto Marinho e a organização social IDBrasil com o objetivo de reconstruir o Museu da Língua Portuguesa. Neste momento estão em curso as obras de interiores. Na sequência, terá início a instalação da museografia. O orçamento atual da reconstrução do museu é de R$ 77 milhões.
A EDP é a patrocinadora master da restauração, e o investimento da empresa soma R$ 20 milhões, montante que representa 26% do orçamento do projeto. O restante será coberto pelo seguro do edifício e aportado pelos demais patrocinadores: Grupo Itaú, Grupo Globo e Sabesp.
De acordo com a Secretaria da Cultura, a estrutura da cobertura, obra finalizada em julho deste ano, foi reconstruída em madeira, seguindo recomendações dos bombeiros e de especialistas, e foram aplicadas telhas em zinco, conforme configuração original do prédio.
“Foram utilizados, na reconstrução da cobertura, 67 m3 de madeira certificada proveniente da Amazônia, do tipo cumaru. […] O redesenho interno da cobertura trouxe mais leveza e visibilidade ao ambiente do terceiro andar do museu”, diz a secretaria.
Além da reconstrução da cobertura, também já foram concluídos o restauro das fachadas e esquadrias e as ações de conservação da cobertura da Ala Oeste, não atingida pelo incêndio.
O Museu da Língua Portuguesa é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo em parceria com a Fundação Roberto Marinho.