CNJ mantém suspensão de contrato sem licitação da Microsoft com o TJ-SP

O contratação da Microsoft pelo Tribunal de Justiça de São Paulo foi acordada para desenvolver nova plataforma digital no valor total de R$ 1,32 bilhão Por Folhapress De São Paulo

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por 14 votos a um, manter suspensa a contratação – sem licitação – da Microsoft pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para desenvolver nova plataforma digital no valor total de R$ 1,32 bilhão.

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Na sessão realizada nesta terça-feira (9), o CNJ permitiu a continuidade dos estudos técnicos sobre o sistema eletrônico de processos da corte.

A contratação foi suspensa provisoriamente em fevereiro, em liminar do conselheiro Márcio Schiefler. Na decisão, o relator argumentou que a contratação direta descumpria as normas do CNJ e poderia “colocar em risco a segurança e os interesses nacionais do Brasil, num momento em que há graves disputas internacionais justamente acerca dessa matéria”.

Schiefler, que preside a Comissão Permanente de Tecnologia da Informação e Infraestrutura do CNJ, orientou em seu voto que os estudos relativos à contratação da Microsoft devam ser submetidos e aprovados por órgãos técnicos do TJ-SP e do CNJ. Posteriormente, a decisão deverá ser submetida aos plenários do tribunal e do CNJ.

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O presidente do TJ-SP, desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças, fez sustentação oral, defendendo a contratação. “Nosso prazo está se exaurindo (2020). Se tivermos que implementar o PJe, sistema que não tem condições de abarcar o volume de processos de São Paulo, será necessária a contratação de mais 700 servidores”, informou o TJ-SP em seu site.

Ele afirmou que “os atos do TJ-SP foram pautados pela total e irrestrita observância aos princípios da moralidade, economicidade, legalidade, eticidade, respeito ao erário e nos moldes da nova Lei de Inovação e na Lei Geral de Proteção de Dados”.

Segundo informou o CNJ, Pereira Calças pediu a flexibilização da Resolução 185/2013, do CNJ, afirmando que “o sistema e-SAJ é obsoleto, esgotado e a empresa responsável [Softplan] não possui comprometimento. Eles não têm atendido sequer as notificações encaminhadas”.

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O presidente do TJ-SP insistiu que o contrato com a Microsoft obedeceu a Lei de Licitações, a Lei de Acesso à Informação e a Lei de Inovação. Disse que foram chamadas Amazon, Google e Microsoft. A contrapartida era que o código fonte teria de ser do TJ-SP; que a empresa não fizesse subcontratação e que São Paulo não arcaria com nenhum ônus financeiro.

“A única empresa que aceitou todos os requisitos foi a Microsoft”, disse o desembargador.

O conselheiro Luciano Frota, voto vencido, divergiu da proposta. “Se o CNJ já tem uma política escolhida nesse sentido (PJe) e precisamos garantir operabilidade do sistema por meio do modo Escritório Digital, porque permitiremos essa mudança? Isso me parece contraditório”, afirmou.

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“Não vejo sentido em continuar alimentando essa ideia de fazer estudos que saem de um sistema de tecnologia unificado. Já foi gasto muito dinheiro com o projeto único. Os tribunais são iguais”, disse Frota.

“Fizemos a opção política da racionalização dos recursos orçamentários e da governança colaborativa.
Atualmente, há 70 tribunais no PJe. Nossas resoluções não cabem ao TJ-SP?”, questionou a conselheira Daldice Santana, que pediu explicações mais claras.

“Ninguém explica quais os pontos que não estão sendo cumpridos. Ideal seria se os estudos fossem para desenvolver a carência do nosso PJe e que o TJ-SP colaborasse com os demais tribunais da nação, como Pernambuco, que abriu seu sistema para todos. O nosso sistema é bem montado. Se todos desenvolverem um pouquinho não seria a melhor saída para a nossa realidade?”, concluiu Daldice Santana.

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“O sistema e-SAJ já está esgotado há muito tempo. Quero, como um cidadão brasileiro, que o sistema dê a resposta pronta ao usuário. Somos 44 milhões de habitantes. Temos um Judiciário extremamente demandado”, afirmou o conselheiro Arnaldo Hossepian.

O presidente do CNJ, ministro Dias Toffoli, considerou o debate “extremamente enriquecedor, por tratar-se de tema atual e que envolve questões que dizem respeito a todo país”.


*Por Frederico Vasconcelos, da Folha de S.Paulo