Estudo revelado no último dia 23 acusou a presença de 27 pesticidas na água fornecida aos consumidores de 1.396 municípios do País. Ou seja, uma em cada quatro cidades brasileiras oferece diariamente aos seus moradores um coquetel de agrotóxicos, diretamente na torneira.
Dos 27 venenos agrícolas encontrados na rede de abastecimento de água, 16 estão classificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como altamente tóxicos e 11 são associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal e disfunções hormonais.
O estudo foi feito com base em dados oficiais do Ministério da Saúde, reunidos pela ONG Repórter Brasil, pela Agência Pública e pela organização suíça Public Eye.
Segundo o levantamento, em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos na água dos municípios avaliados, índice que subiu para 92% em 2018. Ao menos 11 capitais apresentam contaminação múltipla.
Campeão mundial na utilização de venenos agrícolas, o Brasil autorizou o uso de 152 novos pesticidas e herbicidas só nos primeiros 100 dias de governo Bolsonaro. Despejado nas plantas, o agrotóxico penetra no solo e atinge o lençol freático, ou escorre das folhas para os rios com a chuva. Os agrotóxicos também contaminam o ar e são prejudiciais à fauna.
Brasil perde?
O “The Wall Street Journal”, influente jornal norte-americano, admitiu pela primeira vez que a epidemia de peste suína africana que vem devastando granjas inteiras por toda a China e já se alastrou pelos vizinhos da Ásia, tende a se tornar uma pandemia, isto é, uma epidemia de grandes proporções espalhada por diversos pontos do planeta.
Brasil ganha?
A China tem o maior rebanho suíno do mundo e a morte e a eliminação de grandes criações de porcos vem derrubando as cotações da soja no mercado mundial a valores recordes devido à redução nas importações chinesas do grão, muito usado nas rações. Com isso, o Brasil, maior exportador mundial de soja, perde.
Só o tempo dirá.
Mas, na ciranda globalizada das commodities agrícolas, o Brasil ainda pode recuperar parte do prejuízo com a exportação de carne suína aos chineses. Grandes frigoríficos estão de olho. Por via das dúvidas, a fiscalização foi intensificada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para evitar o ingresso no País do vírus da peste suína africana.
Feijão transgênico…
Como antecipou esta coluna no início do mês, foi lançado no último dia 24 o primeiro feijão transgênico do mundo. Desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o grão geneticamente modificado enfrenta resistências tanto de entidades que representam os produtores quanto de empacotadores por temor de que o consumidor boicote o produto.
…já está no mercado.
O novo feijão é resistente a uma praga causada pela mosca branca, que reduz as colheitas drasticamente. Outro objetivo do governo é buscar conter a alta dos preços com a opção pelo transgênico, que poderá ser plantado já a partir do segundo semestre.
Menos pinhão…
Duas geadas seguidas, ainda em 2017, prejudicaram as araucárias nativas do Rio Grande do Sul. Como o ciclo de produção dos pinhões pela árvore é de dois anos e meio, os reflexos surgem agora.
Filosofia do campo:
“O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”, Simone de Beauvoir (1908-1986), filósofa, escritora e feminista francesa.