O Banco Central determinou o fim de propagandas, ofertas comerciais e links nos comprovantes do Pix a partir de 1º de março de 2027. A medida atinge todos os bancos e instituições de pagamento do país e tem como objetivo fechar uma brecha explorada por criminosos para aplicar golpes virtuais.
Segundo o BC, a presença constante de publicidade nos recibos digitais vinha facilitando a ação de golpistas. Criminosos passaram a forjar comprovantes falsos com links maliciosos para roubar senhas e limpar contas bancárias.
Com a nova determinação, a regra de identificação fica mais simples para o usuário, a partir do prazo estabelecido, qualquer comprovante que trouxer anúncio ou link para clicar será falso.
A armadilha disfarçada de oportunidade
Nos últimos anos, as instituições financeiras passaram a usar o comprovante de transferência para promover outros produtos de suas carteiras ou de empresas parceiras.
Entre os conteúdos mais comuns estavam o parcelamento do próprio Pix no cartão, ofertas de crédito pré-aprovado, contratação de seguros e cupons promocionais em lojas.
O problema é que o desenho dessas ofertas passou a ser clonado com frequência. Ao receber uma imagem com frases como “clique aqui para resgatar seu benefício”, muitas vítimas acreditavam estar diante de uma notificação oficial do banco.
A nova norma exige que o comprovante sirva apenas como registro contábil. O documento voltará a trazer somente data, horário, valor e a identificação de quem enviou e de quem recebeu a quantia.
Fique atento aos favoritos na sua lista
As mudanças do Banco Central também criam uma trava de segurança para quem costuma deixar chaves salvas na lista de contatos favoritos dos aplicativos.
A regra determina que o banco deve emitir um alerta imediato sempre que houver qualquer alteração no nome ou nos dados cadastrais daquele recebedor salvo.
O aviso obrigatório serve para evitar equívocos de digitação e impede que uma invasão de conta ou alteração de chave cadastrada passe despercebida na hora de autorizar a transação.
Denunciar fraudes vai ficar mais simples
Outro avanço previsto no pacote atinge o Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada pelo BC para bloquear e tentar reaver recursos desviados em golpes.
Diante de queixas sobre a complexidade das opções nos aplicativos, as instituições financeiras terão de redesenhar suas telas de contestação, adotando uma linguagem direta e compreensível para orientar o cliente.
O processo passará a permitir o envio de fotos, capturas de tela e comprovantes direto pelo app logo no primeiro contato, dando agilidade para congelar o valor na conta que recebeu o dinheiro ilícito.
A devolução por esse canal continua restrita a casos comprovados de crimes e fraudes. Desacordos comerciais, como produtos entregues com defeito ou atrasos de encomendas, seguem fora do mecanismo e devem ser tratados com a empresa vendedora.
O que o consumidor precisa guardar
O Banco Central fixou a vigência para março de 2027 para permitir que todo o sistema financeiro adapte suas plataformas e encerre contratos publicitários em vigor.
Até lá, as orientações de segurança seguem indispensáveis. A recomendação é não clicar em endereços ou links contidos em recibos digitais recebidos por mensagens ou redes sociais.
Antes de digitar a senha e confirmar qualquer transferência, o usuário deve conferir com atenção o nome completo e o documento do destinatário que aparecem na tela do celular.
