Câmara avaliará impacto da reforma da Previdência dos militares nas contas públicas

Instalada nesta quarta (14), a comissão que analisará o assunto é formada por deputados que representam os interesses da categoria Por Folhapress

O relator do projeto de reforma da Previdência dos militares e restruturação de carreiras das Forças Armadas, deputado Vinicius Carvalho (PRB-SP), disse, nesta quarta-feira (14), que, ao estudar alterações na proposta, irá considerar o efeito das medidas nas contas públicas.

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“Chegou a hora de nós aqui fazermos o debate necessário para podermos fazer justiça para aqueles que mesmo sem conhecermos estão resguardando a segurança nacional”.

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O deputado, contudo, não quer reduzir significativamente o resultado da reforma para a economia de gastos públicos.

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“Nós não abriremos mão de observar as questões de impacto porque é nossa responsabilidade como representante do povo brasileiro e cuidarmos desse assunto que envolvem as Forças Armadas também é nosso dever”.

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O texto prevê uma economia de R$ 10,45 bilhões em 10 anos – cerca de 1% do valor previsto com as mudanças na Previdência de civis. A reforma para o setor público e a iniciativa privada deve poupar R$ 933,5 bilhões em uma década, segundo projeção do governo.

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Instalada nesta quarta, a comissão que analisará o assunto é formada por deputados que representam os interesses da categoria. O colegiado é presidido pelo deputado José Priante (MDB-PA).

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O projeto foi enviado pelo presidente Jair Bolsonaro em março e só foi destravado agora, em agosto, após a Câmara concluir a aprovação do endurecimento das regras de aposentadoria e pensões para trabalhadores da iniciativa privada e serviço público.

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O projeto de lei para as Forças Armadas propõe endurecer regras para que os militares entrem na reserva e aumentar a tributação para essas carreiras.

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Isso reduz as despesas públicas em R$ 97,3 bilhões em dez anos.

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Por outro lado, Bolsonaro fez concessões, como aumentos de gratificações e adicionais e também aumento salarial para a base da hierarquia militar.

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As contrapartidas para os militares apoiarem a reforma representam um gasto de R$ 86,85 bilhões em uma década.
Líderes partidários ficaram irritados, em março, com o tratamento especial às Forças Armadas.

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Mas a posição desta ala da Câmara mudou nos últimos meses e esses deputados passaram a acreditar que a reforma da Previdência e as benesses aos militares devam sofrer poucas alterações.

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Isso, porque o governo, que enviou a proposta, seria o responsável por ajustar as contas públicas.

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“Essa reforma é apenas uma das vertentes, outra muito importante é a reestruturação das carreiras. Ela vai reforçar a questão da meritocracia, que é o suporte para estabelecer a hierarquia. A modernização e equiparação das carreiras das Forças Armadas com outras carreiras de Estado”, afirmou o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO).

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A proposta enviada ao Congresso foi elaborada pelo próprio Ministério da Defesa e foi chancelada em reunião entre Bolsonaro, os comandantes das Forças Armadas e ministros do núcleo militar do governo.

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Está previsto aumento, de 30 anos para 35 anos, no tempo mínimo de serviço. Isso só vale para quem ainda vai entrar nas carreiras.

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Os que não preencherem os requisitos cumprirão o tempo que falta para completar 30 anos de serviço somado a um pedágio de 17% do período restante.

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A proposta prevê alta na alíquota de contribuição de 7,5% para 10,5% para quem está na ativa; e as pensões, que hoje são isentas, passam a pagar a mesma taxa de forma escalonada.

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Considerando os 3,5% para o sistema de saúde militar, a alíquota total é de 14%.

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Outro benefício dado aos militares é a possibilidade de quem ainda vai entrar nas carreiras poder receber, na reserva, o valor da última remuneração (integralidade) e que será corrigido de acordo com os reajustes dados aos ativos (paridade).

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A ideia inicial do governo era que a restruturação das regras previdenciárias para as Forças Armadas também valesse para policiais militares e bombeiros.

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Mas a Secretaria de Previdência do Ministério da Economia informou que, após a Câmara retirar os efeitos da reforma da Previdência dos trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público, os policiais militares e bombeiros também foram poupados do projeto relatado por Carvalho.

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No entanto, o Senado articula a reinclusão dos estados e municípios na reforma da Previdência, o que poderia retomar o efeito da medida para policiais militares e bombeiros.

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Por isso, representantes dessas categorias acompanham as atividades da comissão.