Delação de ex-diretor auxilia a Lava Jato de SP para apurações sobre CPTM e linha 4

A partir da delação de Sérgio Brasil, a força-tarefa da operação diz haver sinais de um "eventual equivalente espelho" de irregularidades em outros projetos Por Folhapress De São Paulo

A recém-firmada delação de Sérgio Brasil, ex-diretor do Metrô em gestões tucanas, deu subsídios à Lava Jato de São Paulo para apurações que avancem sobre supostos esquemas na CPTM (estatal de trens) e na construção da linha 4-amarela.

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Na sexta (9), a Justiça Federal aceitou uma primeira denúncia que usava elementos da delação do ex-diretor – que acusa 14 pessoas de corrupção nas linhas 2-verde, 5-lilás e 6-laranja do Metrô paulista.

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Tanto a linha amarela como a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) não foram incluídas na denúncia.

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No entanto, a partir da delação de Sérgio Brasil, a força-tarefa diz haver sinais de um “eventual equivalente espelho” de irregularidades em outros projetos – ou seja, favorecimentos a empreiteiras em troca de vantagens indevidas.

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Sobre a linha 4-amarela, a primeira do Metrô a ser concedida à iniciativa privada, há apurações sobre sua licitação e obra. A investigação não trata da concessão e operação.

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Sérgio Brasil, além de principal delator, é um dos réus e obteve aval da Justiça para ter vantagens em sua pena em troca da colaboração.

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Ele foi gerente de compras do Metrô entre 1994 e 2008, depois diretor e, em 2010, se tornou assessor de parceria público-privada da Secretaria de Planejamento do Estado.

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Nome recorrente em investigações criminais, antes da Lava Jato já aparecia na Operação Castelo de Areia, que foi anulada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em 2011, sob o codinome “Mel de Abelha”. Já nas planilhas da Odebrecht era apelidado de “Brasileiro” ou “Encostado”.

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O ex-diretor é apontado como uma espécie de “Paulo Preto do Metrô”: um agente público que, em troca de propina, intermediava as concorrências e mantinha contratos das empreiteiras em obras do estado.

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Paulo Preto, cujo nome é Paulo Vieira de Souza, é ex-diretor da Dersa (estatal paulista de rodovias) e suspeito de operar para o PSDB. Está preso preventivamente desde fevereiro em Curitiba.

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Na denúncia apresentada pela Lava Jato, o ex-diretor do Metrô relata episódios que, segundo ele, aconteceram entre 2004 e 2014 – nesse período, o estado foi governador por Geraldo Alckmin, José Serra e Alberto Goldman, do PSDB, e Claudio Lembo, então no DEM e hoje no PSD.

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A denúncia aponta que Brasil corroborou depoimento do delator da Odebrecht Fabio Gandolfo, que citou em 2017 repasses para campanhas de políticos como o então deputado estadual e atual vice-governador de São Paulo Rodrigo Garcia (DEM) e o ex-governador José Serra (PSDB).

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Criminalmente, no entanto, eventuais acusações podem estar prescritas, por serem relatos referentes aos anos de 2003 e 2006.

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Ao negociar a delação, Brasil apresentou a cadeia hierárquica da suposta organização criminosa e apontou como líder o ex-presidente do Metrô Luiz Carlos Frayze David, que o teria apresentado a Gandolfo. David tem 75 anos e as acusações contra ele foram consideradas prescritas.

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Brasil também aceitou pagar R$ 6,6 milhões aos cofres públicos para ser beneficiado em processos. Imediatamente, propôs depositar R$ 200 mil. Outros R$ 5 milhões serão ressarcidos em três anos. E uma multa de R$ 1,4 milhão será paga em 48 parcelas.

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Como benefício, negociou para que fique preso por três anos em regime domiciliar. Nesse período, ele terá que apresentar os nomes de 15 pessoas que poderão visitá-lo –após aval de um juiz.

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Depois, deve ficar por mais dois anos em regime semiaberto e dois em aberto. Atualmente, Sérgio Brasil tem 67 anos. Sua defesa pediu à Justiça antecipação da pena, para que ele possa cumprir desde já a punição acordada.

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Além do próprio ex-diretor, executivos das empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez, OAS e Queiroz Galvão foram os alvos da primeira ação.

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Segundo o procurador da República André Lasmar, da Lava Jato paulista, a maior parte do dinheiro recebido ilegalmente por Sérgio Brasil foi usada em benefício próprio e movimentada dentro do país.

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Porém, está sendo investigada “a possibilidade de que, principalmente durante uma fase inicial, parte desse dinheiro tenha sido remetido a agentes públicos e políticos”. O procurador não cita os nomes.

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Antes de fechar a delação com o Ministério Público Federal, Sérgio Brasil já havia sido alvo de ações civis e criminais do Ministério Público do Estado, o que deve levantar discussões a respeito da competência das ações na Justiça.

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A Secretaria de Transportes Metropolitanos do Governo de São Paulo, responsável por Metrô e CPTM, afirmou, em nota, que a atual gestão apoia as investigações e tem interesse na apuração dos fatos, para que os culpados sejam punidos e o Estado, ressarcido.

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O senador José Serra reafirmou que jamais recebeu vantagens indevidas em seus 40 anos de vida pública e sempre pautou sua carreira na lisura e austeridade em relação aos gastos públicos. “Todas as suas contas de campanhas ficaram a cargo do partido e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”, afirma em nota.

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Serra diz esperar que o caso seja esclarecido “para evitar que prosperem acusações falsas que atinjam sua honra”.
Garcia não comentou. Frayze David não foi localizado.