Rastro de sangue e pirulito marcam local onde criança foi morta em SP

Até a manhã de ontem (3), ainda era possível encontrar marcas de sangue em folhas de eucalipto que forram o chão de uma trilha Por Folhapress De São Paulo

Ainda na manhã desta quinta-feira (3), no parque Anhanguera, na zona norte da capital, era possível encontrar vestígios de um crime bárbaro supostamente cometido por um menino de 12 anos contra uma criança de nove. Entre eles, marcas de sangue em folhas de eucalipto que forram o chão de uma trilha, em um ponto distante cerca de 30 metros da árvore de onde a menina foi amarrada.

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As manchas estavam próximas ao local onde foram encontrados os chinelos da vítima, Raíssa Eloá Capareli Dadona, 9, e, também, um pano vermelho supostamente levado pelo menino até o local.

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Segundo a polícia, o garoto teria dito que brincou naquele ponto com a vítima antes de atacá-la.

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O rastro de sangue indica que Raíssa começou a ser espancada antes de ela ser presa ao tronco, amarrada pelo pescoço. Os policiais não conseguiram descobrir ainda quais foram os motivos que poderiam levar o garoto, que completou 12 anos há poucos meses, a matar a colega, assim como também não encontraram o galho supostamente usado por ele para ferir a criança.

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Além do rosto, desfigurado, há sinais de ferimentos em outra partes do corpo da vítima, como braço e ombro. As investigações também tentam descartar ou confirmar quantas pessoas participaram do crime. A polícia diz não saber ainda a causa da morte – trauma causado pelo espancamento, estrangulamento ou algo que ainda não tenha sido detectado. Não há prazo para conclusão da necropsia.

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Fotos do corpo de Raíssa ainda presa à arvore, às quais a reportagem da Folha de S.Paulo teve acesso, mostram a menina amarrada pelo pescoço e com o rosto todo ensanguentado. Em uma delas, a criança está com o queixo caído quase sobre o ombro, lembrando uma das imagens clássicas de Jesus preso à cruz.

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Em outra foto é possível ver a vítima com os pés ao chão (não estava suspensa), com as pernas semiflexionadas e com as costas apoiadas ao tronco. Nessa mesma imagem, aparece o menino de 12 anos chupando um pirulito, cujo palito continuava jogado próximo da árvore.

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Minutos após matar a colega com pauladas que desfiguraram seu rosto – ou de encontrá-la morta, já que o menino deu três versões diferentes para o ocorrido – o garoto que confessaria o ato bárbaro em depoimento procurou funcionários do parque Anhanguera, na zona norte, para relatar que tinha achado um corpo.

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Demonstrava calma, falava de forma tranquila e chupava o pirulito. Os vigilantes até chegaram a pensar que ele estivesse enganado.

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“Pensei que ele estivesse imaginado coisas. Crianças são assim, imaginativas. O menino não estava ofegante, não estava assustado, nem nada. Supernormal, frio”, disse Tatiana (os nomes completos serão preservados a pedido, por questões de segurança).

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A funcionária foi a primeira a ter contato com o garoto, às 13h19, conforme registrou. Tatiana diz ter pensado que, quando ele se aproximou, ouviria um pedido de informação sobre banheiros, ou algo parecido, o que mais costuma atender em um domingo de sol.

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Os vigias lembram o que foi dito pelo menino como “eu estava fazendo uma trilha e vi uma moça pendurada na árvore, toda machucada, cheia de sangue. Se vocês quiserem, eu levo vocês até lá.”

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Dois outros vigilantes, Alessandro e Marcelo, foram chamados para acompanhar a conversa e, na sequência, seguir o menino até o ponto onde a menina estava amarrada. Pelo caminho, segundo Alessandro, o garoto alegou desconhecer a identidade dela.

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“Não parecia um menino do mal, pelo contrário. Parecia alguém sofrido”, disse Alessandro à reportagem.
Parte das informações contadas pelo garoto no parque, saberiam os vigilantes horas depois, não era verdadeira, entre elas que não conhecia a vítima.

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O menino conhecia Raíssa, e estava com ela momentos antes, em uma festa no interior do CEU. A mãe havia deixado a criança na companhia do menino na fila de um brinquedo quando despareceram. As famílias são vizinhas.

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Imagens gravadas por uma câmera de segurança, obtidas pela polícia, revelariam ainda que os dois chegaram ao parque de mãos dadas, cerca de 40 minutos antes de a funcionária ser acionada pelo menino. As imagens também mostram que ele carregava um pano vermelho em uma sacola.

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O corpo da menina foi encontrado pelos funcionários em uma trilha em ponto distante da entrada principal do parque, local de acesso restrito a funcionários – regra fácil de ser burlada. Do ponto onde Tatiana estava, são entre 10 e 15 minutos de caminhada.

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Isso indica que a morte da menina ocorreu em um intervalo de tempo inferior a 30 minutos.

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A confirmação da morte e, nas horas seguintes, o surgimento do nome possível responsável pelo crime, deixou os funcionários abalados. A própria Tatiana diz que só conseguiu dormir nos últimos dias com a ajuda de calmante. Mãe de três filhas, colocou-se no lugar da mãe de Raíssa.

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“A primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi abraçar minhas filhas”, disse Tatiana.

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O delegado Luiz Eduardo Marturano, responsável pela investigação, disse nesta semana classificar o fato com uma “tragédia”. “Eu saí ontem [segunda] daqui vazio, disse ele, na última terça (1º), horas depois de ter ouvido do próprio adolescentes a confissão do crime e os detalhes de como ocorreu.

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De acordo com o policial, a tragédia se completa não só pelo sofrimento da família de Raíssa, mas, também, dos pais do menino suspeito, igualmente arrasados com tudo.

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“Os pais estão chocados, principalmente a mãe, demonstrou uma serenidade, obrigação de levar o filho na delegacia, pouca vezes vista”, disse ele.

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A reportagem procurou a Polícia Civil e a Defensoria Pública para saber qual defensor acompanha o menino, mas não recebeu uma resposta até a publicação deste texto.

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*Por Rogério Pagnan, da Folhapress