Grupos de Bolsonaro e Bivar iniciam ‘vale-tudo’ na Justiça por controle do PSL

O pano de fundo é a tentativa de controle da legenda e de seu fundo partidário - que no final de 2019 pode chegar a R$ 110 milhões Por Folhapress

A disputa interna no PSL ultrapassou a esfera partidária, e as duas alas da sigla decidiram partir nesta terça (22) para uma ofensiva na Justiça.

Continua após a publicidade

O pano de fundo é a tentativa de controle da legenda e de seu fundo partidário – que no final de 2019 pode chegar a R$ 110 milhões.

Continua após a publicidade

Após uma sequência de embates públicos, que culminaram na troca de Delegado Waldir (GO) por Eduardo Bolsonaro (SP) como líder na Câmara, 19 deputados alinhados ao presidente Jair Bolsonaro foram alvo de abertura de processo de suspensão na sigla.

Continua após a publicidade

A decisão foi tomada pelo diretório nacional do PSL, comandado pelo deputado Luciano Bivar (PE) – a legenda tem a segunda maior bancada na Câmara, com 53 deputados, atrás apenas do PT.

Continua após a publicidade

Pouco depois, porém, a ala ligada a Bolsonaro conseguiu uma liminar (decisão provisória) na Justiça para travar a continuidade do processo.

Continua após a publicidade

A ordem do juiz Alex Costa de Oliveira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, foi dada horas após a direção do PSL formar um conselho de ética, órgão responsável por analisar esses casos.

Continua após a publicidade

Após a decisão, advogados que orientam Bivar preparavam recurso ao tribunal para reverter a decisão. A ordem no grupo que se opõe a Bolsonaro é pressionar ao máximo os aliados do presidente até que eles deixem a sigla – ou buscar dispositivos jurídicos para uma expulsão.

Continua após a publicidade

Nesta quarta (23), a ala ligada a Bivar pretende oficializar o afastamento de Eduardo e do senador Flávio Bolsonaro, filhos do presidente, do comando dos diretórios de São Paulo e do Rio.

Continua após a publicidade

Um setor mais radical considera que os bolsonaristas só baixarão a guarda quando o alvo for o próprio presidente. Também estão sendo avaliadas ações individuais na Justiça por calúnia e difamação.

Continua após a publicidade

Após uma tentativa de trégua ter sido ensaiada no começo da semana, integrantes do PSL dizem agora já não haver mais clima para acordo entre as duas alas, e que a tendência é a disputa chegar ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Continua após a publicidade

Se não houver impeditivo judicial, aliados de Bivar calculam que em até 20 dias conseguiriam expulsar ao menos 7 dos 19 deputados na mira do conselho de ética -entre eles, Eduardo Bolsonaro.

Continua após a publicidade

O líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (GO), também é alvo da ação por ter usado as redes sociais para dizer que não havia motivo para notificação.

Continua após a publicidade

Os congressistas notificados teriam cinco dias para apresentar esclarecimentos. A liminar, contudo, paralisou os processos disciplinares.

Continua após a publicidade

O juiz citou a “afronta ao direito de defesa e ao devido processo legal” e destacou que parte das notificações entregue pelo partido aos deputados não estava completa.

Continua após a publicidade

A disputa entre as alas começou a afetar os trabalhos em comissões da Câmara. Nesta terça, sessão da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) foi derrubada por uma deputada aliada de Eduardo.

Continua após a publicidade

O presidente da comissão, Felipe Francischini (PR), da ala de Bivar, insistiu em votar itens da pauta que não haviam sido pactuados com a ala de Bolsonaro do PSL por ferirem os interesses do governo.

Continua após a publicidade

Diante disso, Caroline de Toni (SC), aliada do presidente da República, pediu verificação de quórum e derrubou a sessão, irritando Francischini.

Continua após a publicidade

O encontro do diretório nesta terça foi comandado por Bivar, a quem Bolsonaro se referiu recentemente como “queimado pra caramba”.

Continua após a publicidade

A tentativa de suspensão de membros do partido se dá após a guerra de listas para definir o líder do PSL na Câmara.

Continua após a publicidade

Nesta terça, a Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Casa confirmou Eduardo Bolsonaro na liderança, após conferir as assinaturas de duas listas – uma protocolada pelo grupo ligado a Bivar e outra pelos aliados do filho do presidente.

Continua após a publicidade

A primeira tinha 29 assinaturas, mas 2 foram retiradas e 1 estava repetida. Só 26 foram consideradas válidas. O mínimo necessário era de 27.

Continua após a publicidade

Já a lista de Eduardo tinha 31 assinaturas, mas 2 estavam repetidas e 1 não conferiu. As 28 validadas foram suficientes para mantê-lo como líder do partido na Câmara.

Continua após a publicidade

A confirmação ocorre um dia após Delegado Waldir abrir mão do posto sob a justificativa de um acordo com a gestão Bolsonaro para tentar a pacificação entre bivaristas e bolsonaristas.

Continua após a publicidade

O deputado Júnior Bozzella (SP), aliado de Bivar, disse que Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, havia concordado em buscar uma terceira via para a liderança do PSL, numa solução em que não passaria por Waldir nem por Eduardo.

Continua após a publicidade

Major Vitor Hugo, porém, protocolou uma lista para emplacar Eduardo, revoltando os adversários. Ramos nega que tenha firmado um acordo e disse que tratou sobre a pacificação de forma preliminar.

Continua após a publicidade

Waldir criticou a forma como Eduardo Bolsonaro assumiu a liderança.

Continua após a publicidade

“Eu não acho que ele foi um vencedor, eu acho que ele foi um perdedor. Quando você utiliza o Palácio do Planalto, o presidente da República, ministérios, pressiona deputados, inclusive oferecendo viagens ao exterior ou dentro do país, isso, na verdade, não é vitória”, afirmou.

Continua após a publicidade

O líder tem como principal atribuição representar a sigla na Câmara. Cabe a ele, por exemplo, discursar na tribuna em nome do partido e orientar como a bancada deve votar em cada projeto.

Continua após a publicidade

O titular do posto é quem negocia diretamente com o presidente da Câmara e de suas comissões as pautas, orientações e acordos. O líder tem ainda uma estrutura maior de apoio e, além do que já tem direito como parlamentar, tem à sua disposição outro gabinete, com assessores e cargos.