Dois adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, estão fora do Brasil em uma viagem de formatura aos Estados Unidos. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, a viagem foi planejada há cerca de um ano e não tem relação com as investigações em andamento. Ao todo, quatro jovens são suspeitos de envolvimento no caso.
A informação foi confirmada durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (27/1). O crime ocorreu no início de janeiro, na Praia Brava, e ganhou grande repercussão após a divulgação de imagens e relatos de maus-tratos. O animal não resistiu aos ferimentos e morreu durante atendimento veterinário.
Polícia monitora retorno
O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, afirmou que há preocupação com a convocação de protestos no Aeroporto Internacional de Florianópolis no retorno dos adolescentes ao País. Segundo ele, uma operação de segurança será montada em conjunto com o aeroporto para evitar confrontos.
“São 115 jovens nessa viagem, e apenas dois têm relação com o caso. Nossa preocupação é que pessoas que não têm qualquer envolvimento acabem sendo expostas a riscos”, afirmou.
O delegado ressaltou ainda que não houve apreensão de passaportes de outros investigados que permanecem no Brasil.
Outras suspeitas e familiares indiciados
Além da morte de Orelha, os adolescentes também são investigados por uma tentativa de afogamento de outro cachorro, que conseguiu escapar. Segundo a Delegacia de Proteção Animal, há imagens e depoimentos de testemunhas que indicam que o animal foi arremessado ao mar em uma ocasião diferente. O cão foi adotado posteriormente pelo próprio delegado-geral.
No desdobramento do caso, três familiares dos adolescentes foram indiciados por coação no curso do processo. Segundo a polícia, testemunhas relataram ameaças e intimidações, incluindo frases como “você sabe com quem está falando?” e ameaças de dano material.
A Polícia Civil informou que analisou mais de mil horas de imagens de câmeras públicas e privadas e ouviu mais de 20 pessoas durante a investigação. Aparelhos eletrônicos apreendidos em mandados de busca seguem em perícia.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), afirmou nas redes sociais que as investigações seguem “sem atropelos” e defendeu a responsabilização dos envolvidos. O caso também mobilizou artistas e ativistas da causa animal, como Luisa Mell, que acompanhou a coletiva.
A Polícia Civil reforçou que, por se tratar de adolescentes, é proibida a divulgação de nomes ou imagens dos investigados e que eventuais punições seguirão o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
