O Edifício São Vito, conhecido popularmente como Treme-Treme, marcou por décadas a paisagem da região central de São Paulo.
Construído nos anos 1950 e demolido em 2011, o prédio de 27 andares deu lugar a um terreno que agora será transformado em um novo polo cultural, com a futura sede do Sesc Parque Dom Pedro II, prevista para 2026.
Localizado na avenida do Estado, no Parque Dom Pedro II, o gigante de concreto ganhou o apelido por vibrar sempre que veículos pesados passavam pela via. Ao longo do tempo, também ficou conhecido como “favela vertical”, rótulo associado à superlotação e à degradação da estrutura.
De símbolo da moradia popular ao abandono
Inaugurado em 1950, o Edifício São Vito foi pensado como uma solução moderna de habitação popular. O projeto previa mais de 600 quitinetes, destinadas principalmente a jovens trabalhadores e famílias pequenas que buscavam viver perto do emprego e dos serviços do Centro, um conceito semelhante ao dos atuais apartamentos tipo studio.
A partir da década de 1970, porém, a falta de manutenção e intervenções improvisadas feitas por moradores comprometeram a estrutura. Para ganhar espaço, paredes foram alteradas e unidades passaram a abrigar até dez pessoas, sobrecarregando o prédio. Mesmo assim, o local manteve uma forte vida comunitária, com laços de vizinhança e senso de pertencimento entre os moradores.
Demolição e novo futuro para a área
Desapropriado pelo poder público sob a promessa de revitalização, o São Vito entrou em colapso definitivo quando serviços básicos, como água e limpeza, foram interrompidos. Ligações elétricas clandestinas se tornaram comuns, e o prédio passou a ser associado à criminalidade, o que desgastou ainda mais sua imagem.
Diante do cenário, a Prefeitura optou pela demolição manual, concluída em 2011, para evitar danos às construções vizinhas. Hoje, o terreno está isolado, mas já tem destino definido: abrigará a nova unidade do Sesc Parque Dom Pedro II, que promete ressignificar um dos endereços mais simbólicos e controversos da história urbana paulistana.
