Anvisa investiga 6 mortes ligadas a canetas emagrecedoras no Brasil

Ao menos 225 casos suspeitos de pancreatite foram registrados no Brasil em possível associação ao uso do medicamento

Quebra de patente do Ozempic pode baratear emagrecer no Brasil em 2026

Agência destaca que todos os registros são considerados suspeitos até passarem por análise técnica detalhada | Freepik

Seis mortes e ao menos 225 casos suspeitos de pancreatite foram registrados no Brasil em possível associação ao uso das chamadas canetas emagrecedoras desde 2018, segundo notificações feitas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os dados envolvem medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1 e seguem sob investigação.

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As informações constam no VigiMed, sistema oficial de farmacovigilância da Anvisa, e também em relatos de estudos clínicos realizados no país.

Entre os fármacos citados estão semaglutida, liraglutida, tirzepatida, dulaglutida e lixisenatida, usados no tratamento da obesidade e do diabetes.

O tema ganhou repercussão internacional após um alerta divulgado no Reino Unido, onde autoridades sanitárias investigam 19 mortes em usuários desses medicamentos. No Brasil, especialistas e órgãos reguladores reforçam que não há recomendação para suspender os tratamentos, mas defendem prescrição criteriosa e acompanhamento médico contínuo.

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O que indicam as notificações à Anvisa

Segundo a Anvisa, as 225 notificações de pancreatite incluem casos registrados após a comercialização dos produtos e episódios identificados durante pesquisas clínicas. Os pacientes são, principalmente, dos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e do Distrito Federal.

Além disso, há seis óbitos com suspeita de relação entre o uso das canetas e a inflamação do pâncreas, embora os estados de origem dessas mortes não tenham sido informados. A agência destaca que todos os registros são considerados suspeitos até passarem por análise técnica detalhada.

Especialistas alertam que o número real pode ser maior, já que a notificação desses casos não é obrigatória. Ou seja, médicos e hospitais não são legalmente obrigados a comunicar à Anvisa quando atendem pacientes com pancreatite em uso desses medicamentos.

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No VigiMed, os relatos aparecem associados a marcas como Ozempic, Wegovy, Saxenda, Victoza, Trulicity, Rybelsus, Xultophy e Mounjaro. Ainda assim, a Anvisa ressalta que nem todos os casos podem ser atribuídos diretamente aos produtos originais, pois há registros de uso de canetas falsificadas, irregulares ou manipuladas.

Uso sem acompanhamento

O risco de pancreatite já é conhecido pela comunidade médica e consta na bula de alguns medicamentos da classe. No caso do Mounjaro, por exemplo, a pancreatite aguda é descrita como uma reação adversa incomum, porém possível.

Outro ponto destacado pela Anvisa é que ainda não se sabe se os quadros foram causados pelos medicamentos ou por doenças pré-existentes dos pacientes. Pessoas com obesidade e diabetes, público-alvo dessas terapias, já apresentam risco maior de desenvolver pancreatite.

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No Brasil, não há alerta específico além do que já consta em bula, e o uso das canetas segue considerado seguro quando há indicação adequada. A Anvisa informou que monitora os casos e tem reforçado medidas de controle, como a retenção de receita, sem descartar ações adicionais se novos riscos forem identificados.

Ao nível global, já foram registradas 14.530 notificações de pancreatite e 378 mortes associadas a esses medicamentos. Para especialistas, o maior perigo está no uso sem orientação profissional, especialmente de versões manipuladas, que não oferecem controle de dose nem monitoramento clínico, aumentando o risco de complicações graves.