Um homem no Japão passou 26 anos pagando o aluguel do apartamento onde sua esposa foi assassinada, sem alterar as provas. A decisão custou mais de 23 milhões de ienes (aproximadamente R$ 700 mil) e acabou ajudando a polícia a desvendar um crime que parecia impossível de solucionar.
A persistência de Satoru Takaba teve resultado em outubro de 2025, quando uma mulher foi presa pelo assassinato de Namiko Takaba, ocorrido em 1999. Agora, quase 27 anos depois do crime, o japonês enfrenta uma nova batalha judicial para conseguir indenização.
Crime oculto
Em 13 de novembro de 1999, Namiko Takaba, de 32 anos, foi encontrada sem vida dentro de um apartamento em Nagoya, no Japão. Ela havia sofrido diversos golpes de faca no pescoço e em outras partes do corpo.
O filho do casal, Kohei, de apenas 2 anos, estava no imóvel durante o ataque e não ficou ferido. Satoru trabalhava quando o crime aconteceu e encontrou a família destruída ao retornar para casa.
A investigação identificou manchas de sangue que não pertenciam à vítima, além de pegadas e vestígios deixados por quem havia entrado no apartamento. As autoridades suspeitavam de uma mulher de aproximadamente 1,60 metro de altura.

Provas preservadas por décadas
Depois do assassinato, Satoru deixou o apartamento com o filho, mas continuou responsável pelo aluguel. Ele decidiu manter o imóvel em que ocorreu o crime praticamente como estava, na esperança de que os avanços da ciência ajudassem a identificar o criminoso.
A decisão exigiu um investimento extraordinário. Até outubro de 2026, o japonês havia desembolsado aproximadamente 23 milhões de ienes em aluguel, 50 mil mensais, cerca de 700 mil reais. O valor foi pago mesmo que ele não morasse mais no imóvel.

Satoru também distribuiu panfletos, concedeu entrevistas e participou de campanhas para evitar que o assassinato caísse no esquecimento. Sua mobilização ajudou na luta pelo fim da prescrição dos crimes de homicídio no Japão, mudança aprovada em 2010.
Suspeita era antiga colega de escola do marido
A investigação ganhou fôlego em 2024, quando um novo policial responsável pelo caso decidiu reexaminar nomes que haviam surgido durante as décadas anteriores. Entre eles estava Kumiko Yasufuku, uma antiga colega de escola de Satoru.
A mulher havia estudado com o marido da vítima e, segundo relatos divulgados pela imprensa japonesa, demonstrou interesse amoroso por ele na juventude. Entretanto, as autoridades ainda não estabeleceram uma motivação definitiva para o assassinato.
A principal pista estava no sangue encontrado na entrada do imóvel. Os investigadores compararam o material genético preservado nos registros da investigação com amostras de pessoas relacionadas ao caso.
Kumiko inicialmente resistiu à coleta de DNA, mas acabou concordando com o procedimento. O resultado foi compatível com o material encontrado na cena do crime. Em 31 de outubro de 2025, ela foi presa, 26 anos depois da morte de Namiko.

No dia seguinte, a polícia retornou ao apartamento com a investigada para uma reconstituição. A preservação do imóvel finalmente permitiu examinar os acontecimentos naquele ambiente praticamente inalterado.
Em 5 de março de 2026, a Promotoria de Nagoya apresentou uma acusação formal de homicídio contra Kumiko Yasufuku, após uma avaliação psiquiátrica concluir que ela poderia responder criminalmente pelos fatos.

Até o fim de outubro de 2026, a Justiça japonesa ainda não havia definido uma data para o início do julgamento criminal.
Família enfrenta novo obstáculo para recuperar dinheiro gasto
Além do processo criminal, Satoru e o filho entraram com uma ação de indenização contra a acusada. O pedido inclui reparação pelo sofrimento provocado pelo assassinato e pelos valores desembolsados para preservar o apartamento.
A primeira audiência da disputa civil ocorreu em 8 de setembro de 2026. A defesa de Kumiko pediu a rejeição da ação, argumentando que o prazo legal de 20 anos para solicitar a reparação já havia terminado.

Mesmo após a prisão, homem continua pagando aluguel
Embora a identificação da suspeita tenha atendido ao principal objetivo de Satoru, ele decidiu não devolver o apartamento.O idoso afirmou que pretende manter o imóvel enquanto luta por novas regras para o uso de DNA nas investigações japonesas.
O homem, hoje com 70 anos, defende o emprego regulamentado de informações genéticas mais detalhadas para ajudar a identificar suspeitos de crimes antigos. A proposta envolve discussões sobre privacidade e os limites do uso desses dados pelas autoridades.





