Um dos espaços mais emblemáticos do Parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, volta a receber o público neste sábado (24/1), na véspera do aniversário da cidade.
Após anos de interdições e uma longa reforma, a marquise será reaberta em cerimônia prevista para o período da manhã, com a presença de autoridades municipais e uma exposição fotográfica sobre o fundo do mar.
Com 27 mil metros quadrados, a marquise começou a ser reformada em 2024, depois de anos de debates sobre o projeto.
O espaço é tombado pelo patrimônio histórico, o que exigiu aval de órgãos de preservação e provocou ajustes no cronograma. O local vinha sofrendo interdições parciais desde 2019 e foi totalmente fechado em agosto de 2020.
A obra foi financiada pela prefeitura e executada pela Urbia, concessionária responsável pela gestão do parque. O custo total chegou a R$ 84 milhões, com atrasos e aditivos relacionados às exigências técnicas impostas pelo tombamento.
Projetada por Oscar Niemeyer (1907–2012), a marquise é uma estrutura de concreto armado sustentada por 120 colunas, com formato geométrico irregular.
Além de ser um ícone da arquitetura modernista, ela conecta equipamentos culturais do parque, como o Museu de Arte Moderna (MAM), a Oca e o Museu Afro Brasil.
Uso do espaço terá áreas delimitadas
As regras de uso da marquise ainda não foram oficialmente publicadas, mas a prefeitura sinaliza que o espaço será dividido por áreas específicas para atividades esportivas.
Haverá locais exclusivos para skate, patins e BMX, modalidades historicamente associadas à marquise, além de uma área de cerca de 700 metros quadrados destinada a crianças com bicicletas de até aro 16.
Antes da reforma, as atividades ocorriam de forma livre em toda a área. A gestão municipal chegou a discutir restrições mais severas, como a proibição de esportes e piqueniques, mas recuou.
As divisões entre as áreas serão feitas apenas com fitas no chão, sem grades, e a expectativa é que os próprios frequentadores ajudem a respeitar as regras.
Parte do espaço também será destinada a exposições culturais. Artistas interessados deverão apresentar projetos à concessionária, que fará a análise junto aos órgãos responsáveis.
Áreas seguem interditadas
Apesar da reabertura da marquise, duas áreas próximas continuam fechadas. O Museu de Arte Moderna (MAM) segue em reforma, ainda sem prazo para conclusão.
Já o espaço destinado a um restaurante passa por discussões sobre um novo projeto arquitetônico, após a demolição de uma estrutura que descaracterizou o desenho original de Niemeyer.
Segundo a Urbia, a reabertura da marquise gera um custo adicional anual de cerca de R$ 3,5 milhões, o que explica o interesse da concessionária em ampliar o uso do espaço. Atualmente, o Parque Ibirapuera conta com cinco restaurantes em funcionamento.
