Bilhões de reais, três décadas de obras, e o Pinheiros continua ‘péssimo’, segundo TCE

Segundo documentos reunidos pelo Tribunal de Contas do Estado, a qualidade da água nos 19 pontos de coleta do Pinheiros é desoladora

Cetesb compensará Sabesp por ocorrências de 2025

Rio Pinheiros, visto da ponte Cidade Universitária | Joe Silva/Gazeta de S. Paulo

Bilhões de reais e três décadas de obras não foram suficientes para despoluir o Rio Pinheiros, que ainda apresenta condições preocupantes de qualidade da água. Desde o anúncio do primeiro programa de despoluição em 1992 pelo governador Luiz Antônio Fleury Filho, sucessivos governos investiram na tentativa de limpar os rios Pinheiros e Tietê.

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Situação atual

De acordo com um relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a água do Pinheiros está em estado desolador em 19 pontos de coleta, com o ponto mais crítico próximo ao Parque Burle Marx e à Ponte João Dias.

Os afluentes, como o Ribeirão Morro do S e o Córrego Ponte Baixa, contribuem para a poluição, trazendo água das chuvas e esgotos clandestinos de bairros como Capão Redondo e Jardim São Luiz. Eles carregam para o rio tanto a água das chuvas quanto eventuais ligações clandestinas de esgoto de bairros populosos da Zona Sul, como Capão Redondo e Jardim São Luiz.

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Qualidade da água

O Índice de Qualidade da Água (IQA) considera várias características físicas, químicas e biológicas. A maioria dos pontos de coleta do rio mostra que a qualidade da água é “ruim” ou apenas “regular”, segundo o TCE. Esta avaliação é baseada em critérios nacionais que incluem nove itens diferentes, como oxigênio dissolvido, coliformes termotolerantes e nutrientes como nitrogênio e fósforo.

Nessa relação, agências ambientais, como a Cetesb, avaliam o oxigênio dissolvido, os coliformes termotolerantes, o potencial hidrogeniônico (pH), a demanda bioquímica de oxigênio, a temperatura e a turbidez da água, o nitrogênio e o fósforo total na amostra, além de eventuais resíduos.

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Os últimos resultados do IQA do Pinheiros em exame no TCE são relativos a outubro de 2023. Os dados completos do ano passado ainda não foram divulgados pela Cetesb, que desde 1978 publica anualmente o Relatório de Qualidade das Águas Interiores do Estado de São Paulo.

Investimentos no projeto de despoluição 

Até o momento, 34 contratos relacionados ao projeto de despoluição dos rios Tietê e Pinheiros foram concluídos, custando R$ 2,4 bilhões ao Estado de São Paulo. Adicionalmente, 37 contratos ainda estão em andamento, representando um investimento adicional de R$ 2,7 bilhões.

Além disso, dois contratos foram rescindidos sem que os pagamentos de R$ 57,7 milhões fossem efetuados. A Sabesp, responsável pela gestão desses projetos, também está sob avaliação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) como parte do Painel Tietê-Pinheiros.

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Financiamento e lançamento do projeto novo rio Pinheiros

Iniciado no primeiro ano de mandato do governo João Doria (2019-2022), o projeto Novo Rio Pinheiros foi destacado como uma importante iniciativa de marketing. O governo do Estado de São Paulo garantiu financiamentos significativos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial para expandir a coleta e o tratamento de esgoto, além de melhorar a infraestrutura de saneamento na bacia do Rio Pinheiros.

No total, os contratos firmados nesse período alcançaram US$ 550 milhões, com a Sabesp contribuindo com contrapartidas adicionais de US$ 300 milhões, elevando o total de investimentos para US$ 850 milhões. Esses recursos foram destinados a melhorar a qualidade de vida da população, com foco na sustentabilidade ambiental.

Na época, o valor total dos recursos era equivalente à cerca de R$ 2,5 bilhões, que corresponderiam a aproximadamente R$ 4,3 bilhões em valores atuais. Durante o lançamento, também foram anunciados os quatro primeiros contratos com empresas que dariam início às obras necessárias para a realização do projeto.

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Resultados após cinco anos

Os primeiros quatro lotes de obras de saneamento, lançados durante o governo de João Doria, foram projetados para melhorar significativamente a coleta e o tratamento de esgoto em imóveis situados na sub-bacia do Córrego Ponte Baixa/Socorro.

Além disso, essas obras se estendiam pelas sub-bacias dos córregos Corujas/Rebouças, Aterrado/Zavuvus e Pedreira/Olaria, com o objetivo de beneficiar cerca de 770 mil pessoas na região.

Apesar das expectativas iniciais, cinco anos após o início do projeto, a qualidade da água na região do Córrego Ponte Baixa/Socorro continua classificada como “péssima”, segundo as avaliações do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Esta situação indica desafios significativos na eficácia das medidas de despoluição implementadas.

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Durante essa fase inicial, estimava-se que as intervenções pudessem atender 47 mil imóveis, coletando e tratando esgoto que, anteriormente, era despejado diretamente no Rio Pinheiros. A intenção era reduzir substancialmente a poluição e melhorar a qualidade ambiental e da água do rio.