Bolsonaro chama China de capitalista

visita. 'Estou num país capitalista', diz Bolsonaro ao chegar a Pequim; neste mês, a China comemorou 70 anos da revolução comunista

O presidente Jair Bolsonaro está em Pequim e nesta quinta-feira visitou o comércio local

O presidente Jair Bolsonaro está em Pequim e nesta quinta-feira visitou o comércio local | /ISAC NÓBREGA/PR

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quinta-feira que o Brasil não vai se envolver na guerra comercial entre China e Estados Unidos. “Não é briga nossa”, afirmou. “Queremos nos inserir sem qualquer viés ideológico nas economias do mundo”.

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O comentário foi feito em sua chegada ao hotel onde ficará hospedado em Pequim para uma visita de dois dias ao gigante asiático.

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Ao ser questionado pelos repórteres se tinha algum constrangimento por se encontrar com o presidente chinês, Xi Jiping, que também é secretário-geral do Partido Comunista, Bolsonaro disse que não.

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E acrescentou: “Estou num país capitalista”.

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No início deste mês, a China comemorou 70 anos da revolução comunista, encabeçada por Mao Tsé Tung.

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As declarações representam uma mudança importante em relação a retórica de campanha, quando o então candidato chegou a visitar Taiwan. Ele afirmou na época que “a China não estava comprando no Brasil, mas comprando o Brasil”.

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Os comentários provocaram mal-estar no governo chinês, mas aos poucos as relações foram se normalizando depois Bolsonaro tomou posse. Em maio, o vice-presidente Hamilton Mourão visitou a China e ajudou a acalmar as autoridades locais.

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Um tema, no entanto, ainda parece sensível: o papel da gigante de telecomunicações Huawei, que domina a tecnologia 5G. Os Estados Unidos têm feito pressão para que o Brasil não permita que a empresa chinesa participe de licitações no país.

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Quando perguntado se a Huawei é bem-vinda para investir no Brasil, Bolsonaro foi vago: “por enquanto, fora do radar”.

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O líder brasileiro também pareceu satisfeito com a indiferença chinesa diante das queimadas da Amazônia. Durante as reuniões prévias da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, no país, o tema não apareceu.

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“A China está se mantendo equidistante nesse episódio e tenho certeza que se manterão assim em respeito a nossa soberania”, disse Bolsonaro.

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O assunto preocupa especialmente os europeus, com quem o Mercosul fechou um acordo de livre comércio recentemente. Durante a visita ao Japão (primeira parada no tour pela Ásia), Bolsonaro teve um encontro surpresa com o príncipe Charles, da Grã Bretanha.
(FP)