Em nova divulgação da pesquisa Datafolha, números apontam que a maioria dos brasileiros é contrária à legalização da eutanásia e do suicídio assistido, mas o país encontra-se profundamente dividido quando o tema é a interrupção de tratamentos médicos em doentes terminais.

Os dados fazem parte de uma pesquisa inédita, divulgada neste domingo (16/8), que mapeou os dilemas éticos e religiosos da população em relação às decisões de fim de vida.
O levantamento nacional revela que a rejeição à eutanásia — ato de abreviar a vida de um paciente em sofrimento — alcança 58% dos entrevistados, enquanto apenas 34% se declaram favoráveis à prática.
O dilema brasileiro entre a fé, a ética e a medicina
A recusa é ainda mais expressiva quando se avalia o suicídio assistido, modalidade na qual o próprio paciente administra a substância letal sob supervisão médica: 61% condenam a medida, contra 30% que a apoiam.
No entanto, o cenário muda de figura ao abordar a ortotanásia, que consiste em cessar procedimentos invasivos ou dolorosos que apenas adiam a morte inevitável de um doente sem chances de cura.
Nesse ponto, o eleitorado e a opinião pública se dividem exatamente ao meio, refletindo um debate complexo sobre dignidade e humanização no atendimento de saúde.
O que diz o Datafolha sobre a interrupção de tratamentos?
Segundo o Datafolha, 46% dos brasileiros defendem que pacientes terminais tenham o direito de recusar tratamentos para manter a vida artificialmente, enquanto 47% são contra a interrupção das intervenções médicas, configurando um empate técnico dentro da margem de erro.
A análise demográfica do estudo indica que a aprovação ao fim de tratamentos ineficazes cresce entre pessoas com maior nível de escolaridade e renda, além de apresentar menor resistência entre grupos sem religião.
Em contrapartida, evangélicos e praticantes assíduos lideram a recusa a qualquer forma de intervenção no ciclo natural da vida.
Um debate em evolução na sociedade e no Direito
Os números do levantamento reforçam como o Brasil ainda engatinha na regulação jurídica de diretivas antecipadas de vontade, popularmente conhecidas como testamento vital.
Enquanto o Conselho Federal de Medicina assegura ao cidadão o direito de recusar procedimentos fúteis, a ausência de uma legislação federal clara mantém o tema cercado de incertezas éticas e judiciais para médicos e famílias em momentos decisivos.

