Butanvac é eficaz e mostra formação de anticorpos, segundo estudo realizado na Tailândia

Estudos realizados na Tailândia mostra que a vacina Butanvac é segura

Vacina ButanVac

Vacina ButanVac | DIVULGAÇÂO/GOVERNO DO ESTADO

Estudo conduzido na Tailândia a respeito da imunização da Butanvac, a primeira brasileira anunciada pelo Instituto Butantan, mostra a resposta de imunização e formação de anticorpos 28 dias após a segunda dose.

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Com tecnologia desenvolvida pela Escola Ichan de Medicina do Hospital Mount Sinai, em Nova York, a Butanvac é testada em uma parceria entre países. Além do Brasil, estão envolvidos o Vietnã, a Tailândia (por meio da Universidade Mahidol) e o México (com o laboratório Avi-Mex).

Os resultados preliminares da etapa 1 da fase combinada 1/2 de ensaios clínicos na Tailândia foram publicados no último dia 22 como pré-print na plataforma medRxiv, ainda sem revisão de pares. No dia anterior, resultados também parciais de testes pré-clínicos no México foram divulgados.

Segundo o estudo clínico conduzido pela Universidade Mahidol, a vacina é segura e induz resposta imune a partir de 14 dias após a segunda dose, atingindo o pico com 28 dias após a segunda aplicação.

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A imunogenicidade, isto é, capacidade da vacina de produzir anticorpos que podem proteger contra a Covid-19, foi maior quanto mais alta a dose da vacina testada.

A pesquisa clínica incluiu 210 voluntários de 18 a 59 anos entre os dias 20 de março e 23 de abril de 2021. Foi conduzida de maneira randomizada, escalonada, controlada com placebo e cegada para os participantes e profissionais que atuam na aplicação da vacina, mas não para os pesquisadores.

Indivíduos que já tiveram infecção pelo coronavírus no passado, que tomaram alguma das vacinas disponíveis contra Covid-19, gestantes ou lactantes foram excluídos da pesquisa. Essas pessoas poderão ser incluídas na segunda etapa dos testes, segundo os cientistas.

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Os voluntários foram divididos em quatro grupos: um que recebeu duas doses de 10µg da vacina; um que recebeu duas doses de 3µg mais um adjuvante; um que recebeu duas doses de 1µg com o adjuvante e um grupo que recebeu placebo, uma substância inócua para a doença.

Por se tratar da primeira fase de estudos, nessa etapa avaliaram-se a segurança e a toxicidade da vacina. O imunizante, chamado de NDV-HXP-S, se mostrou seguro.

Os principais eventos adversos reportados foram dor no local da injeção e vermelhidão, de baixa seriedade e que passou em poucas horas. Outros eventos chamados sistêmicos, como febre e calafrios, não foram frequentes no teste.

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Em geral, os efeitos colaterais ocorreram de um a sete dias após a aplicação, independentemente de ser a primeira dose ou não. Após 28 dias não foram verificados efeitos adversos relacionados à vacinação.

Para aferir a proteção conferida pelo imunizante, os cientistas mediram as taxas de anticorpos do tipo IgG específicos para a proteína S da spike (ou espícula, o gancho usado pelo coronavírus para infectar e invadir as células humanas) do coronavírus no sangue dos voluntários. Isso foi feito 29 e 43 dias após a aplicação da primeira dose. Ou seja, um e 14 dias após a segunda dose.

A produção de anticorpos foi maior após a aplicação da segunda dose. Passados 14 dias dela, a taxa aumentou de quatro a dez vezes, de acordo com a dosagem utilizada.

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É importante destacar que os pesquisadores mediram os anticorpos que se ligam à cepa original do vírus de Wuhan, que já não está mais em circulação no mundo. Ela vem sendo substituída pelas variantes do coronavírus que evoluíram nos últimos meses, incluindo a variante delta, mais contagiosa. Não é possível ainda saber se a vacina vai proteger contra as outras formas.

Os dados do estudo com humanos na Tailândia são semelhantes aos observados na pesquisa conduzida com porcos no México, com o diferencial de que os cientistas do laboratório Avi-Mex testaram também a vacina contra as formas alfa (B.1.1.7), beta (B.1.351) e gama (P.1) do vírus. A vacina se mostrou segura e também induziu resposta imune nos animais.

A Butanvac também está em testes em humanos no Brasil. Não há ainda, no entanto, dados para o estudo desenvolvido por aqui, que teve início em julho.

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O imunizante está sendo testado atualmente em dez municípios no estado de Minas Gerais e em Ribeirão Preto (SP). Recentemente, o Butantan anunciou um novo centro de testes para a vacina em Piracicaba (SP). Não há ainda previsão de quando os testes clínicos no país serão finalizados.

Na última quarta-feira (22), o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que os resultados divulgados no estudo da Tailândia foram promissores e que criam o primeiro elemento para prosseguir com a fase 2 de estudos.

“Estamos muito otimistas em relação a essa vacina porque ela apresentou resultados de imunogenicidade superior ao encontrado na mesma etapa pelas vacinas que estão sendo usadas atualmente. Isso é uma grande esperança para que a gente possa ter para o ano que vem uma vacina barata, produzida no Butantan, para o próximo ano”, disse em entrevista coletiva na sede do instituto, na zona oeste de São Paulo.

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Covas não especificou, no entanto, quais seriam as vacinas mencionadas que tiveram desempenho de imunogenicidade inferior nos testes clínicos.

A vacina da Oxford/AstraZeneca, por exemplo, teve os resultados preliminares apontando para uma boa proteção em adultos de todas as idades, incluindo aqueles de até 70 anos, anunciados em novembro de 2020.

A Butanvac é produzida a partir de um vírus que causa a doença de Newcastle (uma gripe aviária, incapaz de infectar humanos) modificado para expressar a proteína S da spike do coronavírus Sars-CoV-2.
Depois de inoculado em ovos embrionados de galinhas, o vírus é inativado e a proteína é purificada. A versão final da vacina utiliza a proteína sem o vírus.

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A fabricação de vacinas usando ovos embrionados é uma tecnologia já bem dominada pelo Butantan, utilizada para a produção anual de mais de 70 milhões de doses da vacina contra a gripe, por exemplo.
Por ser de fácil acesso e não depender de matéria-prima estrangeira, a Butanvac pode ser uma opção mais barata para vacinação em países em desenvolvimento, que têm maior dificuldade de acesso às vacinas utilizadas atualmente contra a Covid-19.