Câmeras de segurança registraram o momento em que Gustavo Muniz de Santana, de 20 anos, foi atingido por 27 disparos feitos por quatro policiais militares durante uma abordagem na madrugada de sábado (10/10), em Moema, na Zona Sul de São Paulo. O jovem morreu no local. Segundo as imagens, os agentes dispararam mais de 40 vezes.
Os registros mostram Gustavo chegando à calçada de um estabelecimento e tentando se abrigar junto à parede. Em seguida, ele leva as mãos à cintura, pega um celular com as duas mãos e o aponta na direção dos policiais.
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De acordo com o boletim de ocorrência, os agentes confundiram o aparelho com uma arma de fogo. A equipe havia sido acionada após uma informação de que uma pessoa estaria tentando cometer suicídio.
As imagens também mostram Gustavo sendo atingido quando já estava no chão. Para a pesquisadora Giane Silvestre, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, a quantidade de disparos exige esclarecimentos. Ela destacou a importância das gravações das câmeras corporais para apurar as circunstâncias da ocorrência.
O coronel reformado e especialista em segurança pública, José Vicente, também defendeu uma revisão dos protocolos e melhorias no treinamento dos policiais.
Família contesta versão inicial
Segundo a advogada Ana Facíllia Meira, que representa a família, Gustavo já havia sido alvo de abordagens policiais que os parentes consideram violentas. A defesa afirma que acompanha a investigação e busca preservar provas que ajudem a esclarecer o caso.
A família também contesta a informação inicial de que o jovem estaria ameaçando tirar a própria vida. De acordo com a advogada, Gustavo fazia tratamento para depressão e tomava antidepressivos, mas não tinha histórico de tentativas de suicídio ou automutilação, conforme o relato dos parentes.
Gustavo morava com a mãe e as irmãs, trabalhava em um hospital e cuidava de cachorros. Pessoas próximas o descreveram como alguém disposto a ajudar os outros. Ele tinha planos de cursar medicina veterinária ou engenharia mecânica. O jovem foi sepultado na segunda-feira (12/10), quando a irmã publicou uma homenagem nas redes sociais.
Policiais foram afastados
Os quatro policiais envolvidos foram afastados das atividades no domingo (11/10), após a Polícia Militar analisar imagens das câmeras corporais. Segundo as informações divulgadas, quase 60 horas após a morte, a Polícia Civil ainda não havia recebido a íntegra das gravações.
O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, e pela própria Polícia Militar, que instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM).
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) afirmou que não tolera desvios de conduta e que as circunstâncias da morte são investigadas com rigor. A pasta informou que eventuais irregularidades serão punidas.
