A filha de Gisele Alves Santana, soldado da Polícia Militar encontrada morta em fevereiro deste ano, prestou depoimento à Justiça nesta quarta-feira (1º/7), durante audiência de instrução do processo que apura o assassinato da policial. A menina, de 7 anos, foi ouvida no Fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.
A criança chegou ao local acompanhada do pai e de um advogado. Antes de ser ouvida, passou por um procedimento de psicoeducação jurídica, que explica de forma lúdica o funcionamento do processo judicial. Após receber as orientações, ela concordou em prestar depoimento.
O processo que investiga a morte da policial militar Gisele Alves concluiu que a PM foi imobilizada por trás e baleada. O documento, divulgado em março, apontou ainda que havia manchas de sangue espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela morava com o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, seu marido.
Julgamento do caso
Esta foi a terceira etapa das audiências na 5ª Vara do Júri de São Paulo, que reúne depoimentos de testemunhas do caso. Além da filha da policial, familiares e amigos de Gisele também foram ouvidos nesta quarta-feira. O conteúdo dos depoimentos não foi divulgado.
Na terça-feira (30/6), dez policiais militares e bombeiros que atenderam a ocorrência prestaram esclarecimentos. Segundo a investigação, os relatos ajudaram a apontar inconsistências na versão apresentada pelo tenente-coronel aposentado Geraldo Leite Rosa Neto, ex-marido da vítima, que afirma que Gisele tirou a própria vida.
Os policiais relataram, por exemplo, que o oficial tomou banho após a chegada das equipes ao local, mesmo orientado a preservar a cena. Por esse motivo, além de responder por homicídio qualificado, ele também foi denunciado por fraude processual.
O depoimento de Geraldo Leite Rosa Neto está previsto para sexta-feira (3/7). Ao término das audiências, a Justiça decidirá se o militar aposentado será levado a júri popular.
Em junho, a Polícia Militar oficializou a passagem de Geraldo Leite Rosa Neto para a reserva remunerada. A aposentadoria foi concedida a pedido do oficial, que passou a receber vencimentos integrais. Quando estava na ativa, seu salário bruto era de aproximadamente R$ 28,1 mil.
Caso Gisele
O processo que investiga a morte da policial militar Gisele Alves concluiu que a PM foi imobilizada por trás e baleada. O documento, divulgado em março, apontou ainda que havia manchas de sangue espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela morava com o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, seu marido.
O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita após contestação da família da vítima.
O corpo foi exumado e passou por novos exames no sábado (7/3), no Instituto Médico-Legal (IML) Central da Capital, incluindo tomografia.
Alguns pontos passaram a ser considerados pelos investigadores. Um deles é o horário da morte. Uma vizinha afirmou à polícia que acordou às 7h28 após ouvir um estampido único e forte vindo do apartamento.
O relato indica que o barulho ocorreu cerca de 30 minutos antes da primeira ligação feita pelo marido ao serviço de emergência. Na chamada para a Polícia Militar, registrada às 7h57, ele afirmou que a esposa havia atirado contra a própria cabeça.
“Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”, disse na ligação.
Minutos depois, às 8h05, ele entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e informou que a mulher ainda estava respirando. As equipes chegaram ao local às 8h13.
