Todo 11 de setembro, uma figura improvável reaparece nas redes sociais brasileiras ao lado de imagens das Torres Gêmeas. O apresentador do SBT, Celso Portiolli, não teve qualquer participação nos atentados de 2001, mas há anos virou personagem de uma das brincadeiras mais recorrentes da internet brasileira.
A associação começou como uma espécie de teoria da conspiração de brincadeira. Montagens passaram a colocar Portiolli em cabines de avião, diante do World Trade Center e em outras situações fictícias relacionadas. A cada aniversário dos ataques, o conteúdo volta a circular e o nome do apresentador reaparece entre os assuntos comentados nas redes.
Segundo relatos do próprio Portiolli, a história chegou ao Brasil depois de uma brincadeira que circulava em Portugal. No começo, ele não gostou nada de ser associado a uma tragédia daquela dimensão. Com o tempo, porém, passou a entender o fenômeno e entrou no jogo.
O meme ganhou vida própria
Não existe qualquer relação factual entre Portiolli e os ataques. O humor surgiu da repetição da ideia até transformá-la em uma espécie de personagem recorrente da memória digital brasileira.
Há montagens que mostram o apresentador como piloto, imagens em que ele aparece nas proximidades do antigo complexo do World Trade Center e publicações que simulam uma suposta participação dele no planejamento do atentado. O ápice foi em 2019, quando foi criada uma página no Facebook, com o nome de “Celso Portiolli não teve nada a ver com o 11 de setembro”.
A própria participação do apresentador ajudou a alimentar o fenômeno. Fotos de viagens a Nova York acabaram sendo incorporadas às brincadeiras, criando novas oportunidades para os internautas retomarem a piada.
Portiolli já pediu respeito
Em 2024, Portiolli publicou uma reflexão sobre a associação. Ele reconheceu que muitas pessoas fazem as piadas sem intenção de causar mal, mas também lembrou que 11 de setembro tem um significado pessoal para ele.
A data também marca a morte de seu pai. Por isso, apesar de lidar com a situação com bom humor em diversas ocasiões, o apresentador afirmou que a repetição excessiva da brincadeira pode ser desgastante.
Portiolli também relatou ter visitado o Memorial e o Museu do 11 de Setembro, em Nova York. Depois da experiência, reforçou que o episódio não pode ser reduzido apenas às piadas que circulam na internet.
O que aconteceu em 11 setembro
Na manhã de 11 de setembro de 2001, 19 integrantes da organização terrorista al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais nos Estados Unidos. Dois foram lançados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York. Outro atingiu o Pentágono, na região de Washington. O quarto caiu em uma área rural da Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle da aeronave.
O primeiro impacto ocorreu às 8h46, quando o voo 11 da American Airlines atingiu a Torre Norte. Às 9h03, o voo 175 da United Airlines atingiu a Torre Sul. Os dois edifícios posteriormente desabaram.
Ao todo, 2.977 pessoas foram vítimas dos ataques, sem contar os 19 sequestradores. Milhares de outras pessoas ficaram feridas ou passaram a enfrentar consequências de longo prazo.
As marcas continuam 25 anos depois
Um dos aspectos menos conhecidos do 11 de setembro é que a história ainda não terminou. Em agosto de 2026, autoridades de Nova York anunciaram a identificação de uma vítima dos ataques ao World Trade Center, por meio de uma técnica de genealogia genética forense investigativa. Foi a primeira identificação feita com essa técnica no caso.
A saúde dos sobreviventes e socorristas também continua sendo acompanhada. O World Trade Center Health Program atende atualmente quase 150 mil integrantes e reconhece doenças respiratórias, cânceres e condições de saúde mental relacionadas à exposição provocada pelos ataques e pelo trabalho de recuperação.
Há ainda uma questão judicial que atravessa décadas. Khalid Sheikh Mohammed, acusado de ser o principal planejador dos ataques, e três outros réus tiveram o julgamento marcado para 5 de junho de 2028 em um tribunal militar em Guantánamo. O processo se arrasta há mais de duas décadas e continua cercado por disputas sobre provas e procedimentos.
É nesse contraste que o meme de Celso Portiolli precisa ser entendido. A brincadeira ganhou espaço justamente por ser absurda e se tornou uma tradição anual das redes brasileiras. Hoje, 25 anos depois, a data continua carregando histórias de famílias, sobreviventes, socorristas e vítimas.






