Covid motivou uma em cada três denúncias trabalhistas em 2020 no ABC

Dados revelam que das 763 queixas feitas à Procuradoria do Trabalho em São Bernardo no ano passado, 250 referiam-se à inobservância de medidas para enfrentamento da covid-19 no ambiente de trabalho

Entre as queixas relacionadas à covid-19 figuram a ausência de testagem e de distanciamento mínimo entre trabalhadores, o não afastamento de funcionários que integram grupos de risco e o não fornecimento de equipam

Entre as queixas relacionadas à covid-19 figuram a ausência de testagem e de distanciamento mínimo entre trabalhadores, o não afastamento de funcionários que integram grupos de risco e o não fornecimento de equipam | /Eric Romero/PMSCS

Violações trabalhistas relacionadas ao novo coronavírus motivaram uma em cada três denúncias feitas no ano passado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) na região do ABC Paulista.

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Dados obtidos pelo Diário Regional revelam que, das 763 queixas feitas à Procuradoria do Trabalho em São Bernardo (que abrange os sete municípios) no ano passado, 250 referiam-se à inobservância de medidas para enfrentamento da covid-19 no ambiente de trabalho.

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A pandemia também foi responsável por três das 59 ações civis públicas ajuizadas pelo MPT na região em 2020.

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Entre as queixas relacionadas à covid-19 figuram a ausência de testagem e de distanciamento mínimo entre trabalhadores, o não afastamento de funcionários que integram grupos de risco e o não fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs).

“Em geral, as denúncias referem-se à inadequação do ambiente de trabalho para evitar as contaminações e à recusa de oferecer teletrabalho. No começo da pandemia, também recebemos queixas relacionadas a empresas que descumpriram a orientação do governo do Estado de fechamento de atividades não essenciais”, explicou a procuradora do Trabalho em São Bernardo, Sofia Vilela.

A procuradora atribuiu o volume elevado de denúncias à dificuldade enfrentada pelas empresas em lidar com uma situação praticamente inédita – a última crise sanitária similar, a da gripe espanhola, ocorreu há mais de um século.

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“Todos nós tivemos de aprender a lidar com a pandemia, de entender o que era necessário para evitar contaminações. Por isso, no início, o MPT preferiu emitir notificações recomendatórias. Porém, em alguns casos, também faltou responsabilidade a algumas empresas para adequar seus ambientes de trabalho. Outras decidiram desrespeitar a determinação de fechamento e manter a atividade mesmo com o risco de fiscalização e multa”, revelou.

Segundo o MPT, os setores que mais geraram denúncias foram o comércio varejista (em especial hiper e supermercados) e os serviços de telemarketing, saúde e transporte público. “As queixas em atividades essenciais foram mais intensas, porque são setores que não pararam”, explicou a procuradora.

Sofia entende que o volume de denúncias relativas à co¬vid-19 deve permanecer elevado em 2021 – o MPT só recebe queixas de caráter coletivo. Neste mês, boa parte das cerca de 70 denúncias recebidas pela Procuradoria de São Bernardo refere-se ao novo coronavírus. “Só vai diminuir quando a pandemia acabar”, projetou.

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VIRTUAL

O número total de denúncias encaminhadas ao MPT, porém, caiu 17% no ano passado – redução que Sofia atribuiu à suspensão do atendimento presencial pelo órgão e à prioridade dada pelos sindicatos a denunciar as violações relacionadas à covid-19 em detrimento de outras irregularidades.

As denúncias podem ser encaminhadas pelo aplicativo Pardal MPT (disponível para sistemas Android e IOS) ou pelo site mpt.mp.br.