Dentista é afastada de UBS após ameaçar criança que chorava de dor

Ao notar que a filha começou a reclamar de dores durante o atendimento e ter sido advertida com um grito, a mãe começou a gravar a situação

A mãe conta que entrou na sala de atendimento com a filha e ficou sentada em uma cadeira atrás da dentista

A mãe conta que entrou na sala de atendimento com a filha e ficou sentada em uma cadeira atrás da dentista | Reprodução

Uma dentista que atende na rede pública de Jarinu (SP), foi afastada de suas atividades após a mãe de uma criança de 6 anos denunciar o atendimento que sua filha recebeu em uma UBS (Unidade Básica de Saúde), onde a profissional teria gritado e feito ameaças à menina. Um boletim de ocorrência foi registrado.

Continua após a publicidade

A mãe da criança relatou à reportagem que buscou atendimento odontológico de urgência na UBS Nova Trieste para a filha na quinta-feira (29), após a criança se queixar de dores e passar dois dias sem se alimentar bem. Segundo a responsável, o quadro aconteceu depois de um dano em uma obturação, que precisava ser restaurada, causando inflamação na gengiva da criança.

A mãe conta que entrou na sala de atendimento com a filha e ficou sentada em uma cadeira atrás da dentista. Ao notar que a filha começou a reclamar de dores durante o atendimento e ter sido advertida com um grito pela profissional, ela começou a gravar a situação com o celular.

“Lorena, por favor, tá? Por favor. Eu vou ter que apertar sua língua porque você está mexendo né? É, está doendo, eu estou apertando mesmo, vou apertar mais ainda”, ameaça a profissional.

Continua após a publicidade

Em outro trecho é possível ver que a menina continua chorando, diz que a boca está sangrando e logo é advertida pela profissional mais uma vez.

“Está saindo sangue, sim, pois eu estou mexendo. Eu estou mexendo para te ajudar. E quanto mais você mexe, mais sangue vai sair porque você está se machucando. Não sou eu que estou te machucando. É você”, disse a dentista.

A mãe também disse que, durante o atendimento, a menina colocou a mão na boca mostrando estar com dor e mais uma vez foi advertida com ameaças pela profissional: “Tira a mão daqui, senão eu furo a sua mão”, afirmou a dentista.

Continua após a publicidade

Ao ver a filha sendo tratada daquela maneira pela profissional, a mão afirmou ter ficado sem reação e com medo de intervir.

“Fiquei com receio de que ela pudesse machucar a minha filha. Nunca tinha visto um profissional, um médico, tratar um paciente daquela maneira. Comecei a filmar para ter provas para poder denunciar e assim outras crianças não passassem pelo que minha filha passou”, explicou a mãe.

Depois do atendimento, a responsável pela criança foi até à delegacia e registrou um boletim de ocorrência. Ainda segundo a mãe, a menina ficou traumatizada com o atendimento e vai passar por atendimento psicológico amanhã.

Continua após a publicidade

“Quando chegamos em casa após sair da UBS ela me perguntou se aquele tipo de atendimento era normal. Depois daquele dia ela se fechou, está mais quieta e não quer falar sobre o assunto”, acrescenta a mãe.

Ela conta ainda que há seis meses a filha vem fazendo acompanhamento odontológico com outro dentista do município e essa teria sido a primeira vez que ela chorou durante o atendimento.

Profissional afastada

Continua após a publicidade

Em nota, a prefeitura de Jarinu disse que uma sindicância foi aberta para apurar a denúncia e afastou a profissional.”A Prefeitura de Jarinu, por meio da Secretaria de Saúde, informa quem ao tomar conhecimento do ocorrido, imediatamente afastou os profissionais de Saúde envolvidos e iniciou a investigação do caso. Na última sexta-feira (30), foi aberta sindicância administrativa e todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas. A mãe foi prontamente contatada, após a ciência do ocorrido, e tem recebido toda a assistência necessária. A criança recebeu encaminhamento para atendimento psicológico e também já passou por novo atendimento odontológico”, afirma o comunicado.

A prefeitura não informou o nome da profissional envolvida no caso, por isso a reportagem não conseguiu localizá-la e ouvir a sua versão.