Deputado que apalpou colega na Alesp é expulso do partido

Fernando Cury (Cidadania) foi flagrado por câmeras tocando o corpo de Isa Penna (PSOL) em dezembro do ano passado

Fernando Cury

Fernando Cury | Reprodução

O diretório estadual do Cidadania de São Paulo decidiu nesta segunda-feira (22), por 27 votos a 3, pela expulsão do deputado estadual Fernando Cury do partido, que foi acusado de importunar sexualmente a deputada Isa Penna (PSOL)

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Em dezembro do ano passado, Cury foi flagrado pelas câmeras da Assembleia Legislativa de São Paulo apalpando a lateral do corpo de Isa durante uma sessão plenária. 

O deputado ainda pode recorrer à direção nacional do partido, mas a tendência, nesse caso, é manter a expulsão, já que o presidente da legenda, Roberto Freire, é um dos autores da representação contra Cury que originou o processo interno no conselho de ética. 

O diretório estadual já havia tentado fazer a reunião para decidir sobre a expulsão no último dia 11, mas não houve quórum. 

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Nesta segunda, o diretório paulista deliberou sobre o parecer do conselho de ética que recomendou a expulsão de Cury. 

O processo de expulsão se arrasta desde janeiro deste ano e teve início a partir de uma representação feita pelo próprio presidente do Cidadania, Roberto Freire, e pelo presidente do diretório estadual de São Paulo, deputado federal Arnaldo Jardim. 

Cury afirma que a expulsão é antidemocrática e que o partido deveria aguardar o julgamento de recursos que ele apresentou, no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJ-DFT), contra a tramitação do processo interno. 

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Por causa do episódio, o Ministério Público de São Paulo ofereceu, em março, uma denúncia contra Cury, suspeito de importunação sexual. 

Antes de decidir se aceita a denúncia e torna Cury réu, o desembargador João Carlos Saletti, do Tribunal de Justiça de São Paulo, irá analisar a defesa do deputado, apresentada no último dia 1º. 

O deputado também acabou punido pelo plenário da Assembleia com um afastamento temporário de 180 dias do cargo. A pena já foi cumprida -ele retomou o mandato no mês passado. 

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Ainda em dezembro, o Cidadania afastou Cury das atividades partidárias e deu início ao trâmite de expulsão no conselho de ética -mas o deputado entrou com uma ação no TJ-DFT, o que paralisou o caso. 

Na ação, Cury questiona etapas da tramitação e alega ter tido sua defesa cerceada. Para ele, Jardim e Freire são imparciais para decidir sobre o caso. 

Somente em agosto passado, uma decisão do juiz Carlos Fernando Fecchio Dos Santos, da 20ª Vara Cível de Brasília, determinou que o processo interno de expulsão fosse retomado, com a condição de que Cury e suas testemunhas fossem ouvidas. O deputado recorreu. 

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O partido marcou a oitiva para 14 de setembro, mas Cury não participou, alegando que a ação no TJ-DFT não transitou em julgado ainda. 

O Cidadania, por sua vez, deu andamento ao processo e, em 15 de setembro, o conselho de ética voltou a recomendar a expulsão de Cury. Nesta quinta, o diretório paulista votou o parecer do conselho. 

Para o presidente do conselho de ética do Cidadania, Alisson Micoski, não há lugar “para alguém com esse tipo de atitude” no partido. 

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“O comportamento desviante foi inclusive punido pela Alesp. Mesmo com testemunhas favoráveis e com a acolhida para a sustentação oral, ele se recusou a fazer a defesa. Talvez porque não tenha como se defender. As imagens falam por si”, disse em nota. 

O conselho opinou ainda que os recursos de Cury ao TJ-DFT são protelatórios. 

A ação criminal sobre o caso também atrasou meses devido à dificuldade do Tribunal de Justiça de São Paulo em localizar o deputado. 

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Em abril, Saletti, do TJ-SP, determinou que o deputado fosse notificado e oferecesse uma defesa prévia em 15 dias. O oficial de Justiça não conseguiu encontrar o deputado em Botucatu (SP) em quatro tentativas, em maio e junho. 

Nesse período, Cury registrou em suas redes sociais momentos em família, em casa, bem como atividades políticas, como visitas a aliados de cidades vizinhas e até a presença em um evento do governador João Doria (PSDB) no Palácio dos Bandeirantes. 

Somente após retomar o mandato de deputado, no mês passado, é que Cury foi finalmente notificado. 

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A defesa, apresentada no último dia 1º ao TJ-SP, argumenta que não houve o crime de importunação sexual. 

O advogado de Cury, Roberto Delmanto Júnior, se baseia em um laudo médico e um laudo de um perito criminal para afirmar não ter havido intenção de assédio, má-fé, ou intenção libidinosa. 

“Não ocorreu toque em regiões de maior intimidade […] muito menos toque forçado”, diz a peça.
Delmanto Júnior argumenta ainda que a defesa foi cerceada ao longo da tramitação da investigação e que a falta de um exame de corpo de delito prejudica a acusação.